Voo de balão: inesquecível

O flyer vinha com a promessa: o voo pelo deserto a bordo do balão é inesquecível. A bem da verdade, não estava enganando ninguém. Agora se o fator inesquecível é positivo ou negativo, isso é algo muito pessoal.
 
Antes que você decida também voar de balão no deserto em Dubai deixa eu te colocar a par de algumas infos importantes:

aquecendo balão

Preparando para decolagem

1) O preço: voar de balão é caro para cacete! Mais caro que voar de helicóptero. Avisei, certo?

Esperado o momento de entrar no cesto

2) A duração do voo é de aproximadamente 1h, porém tudo depende das condições climáticas. Pode acabar durando menos.

O voo sai na madruga

3) O voo sai super cedo. Você tem que madrugar. O transfer no hotel chega entre 4h45 e 5h30 da manhã. E ainda demora uns 45min até chegar ao local de partida

Demos sorte. Aqueles dois balões ali não conseguiram decolar…

4) Como tudo depende das condições climáticas, há chance de você acordar cedo, ir até a base e não conseguir voar. No dia que fui, estavam previstos 3 voos porém apenas o grupo do meu balão conseguiu decolar. Ou seja, dei uma cagada master :) As outras quase 50 pessoas precisaram voltar para casa abanando as mãos.
Beleza, isso era o que eu gostaria de informar antes de contar a minha experiência. Toda a pilha para fazer o passeio de balão veio por conta da Claudia que sempre quis voar de balão. E não é que eu não tivesse interesse, mas realmente foi ela quem deu o empurrão para experimentarmos o voo. Apenas uma empresa opera os voos em Dubai e apenas durante o período de setembro a maio, pois segundo eles fica muito quente no verão para voar. A cia partepara voos na Alemanha e Nova Zelândia durante o resto do ano.

Em meio ao voo – uma tranquilidade só…

…exceto pelos momentos em que o capitão acendia o maçarico
A van que veio nos buscar chegou as 5h25 e já aguardávamos no lobby, cheios de olheira. O trajeto até lá era um tanto quanto sem graça. Chegamos a um descampado no deserto aonde fazia um puta frio. Tenha em mente: deserto é quente de dia e bem frio a noite/madruga. Aguardamos dentro das vans enquanto os outros grupos, incluindo o nosso piloto, chegavam ao local. Cada balão pode levar até 24(!) pessoas  nas suas cestas, contando aí o piloto.  Não fazia idéia de que iriam tantas pessoas no balão…

E a cia que opera o voo de balões possui três balões. Depois de uns 10min, os demais grupos chegaram e junto com eles o nosso piloto, Peter Kollar,  que mais tarde descobrir ser o dono da cia. Peter é uma figura enérgica que tem um jeitão de militar, sabe dar ordens e gritar para se impor, mas solta várias piadinhas ao longo do trajeto. É uma figura. Ele chegou pilhadão pois a van dele estava atrasada e isso preocupava muito pois segundo suas próprias palavras “10 minutos podem ser a diferença entre decolar ou não com os balões”.
Peter comandando a decolagem. Nesse momento (apesar da foto ruim) dá pra ver que algumas pessoas já foram colocadas no cesto para balancear o peso do balão que vai subir já já.
Senti falta de um briefing mais detalhado aos tripulantes antes de embarcarmos no balão. Peter fez um semi-círculo, aonde deu um discurso de menos de 5min e pareceu mais preocupado com a contagem de pessoas do que em passar as infos relevantes do voo. Fez questão de enfatizar que cada um é responsável pela sua segurança e por seus pertences (não é permitido embarcar de mochila ou bolsa, e cada um só deve carregar no máximo uma câmera fotográfica). Já na sequência desse semi-briefing partimos para a decolagem do balão que foi tensa. A cesta aonde ficam os 24 tripulantes é um retângulo dividido em cinco espaços.  No centro fica o piloto e mais uns 6 ou 8 cilindros de gás. Os dois retângulos que ficam a esquerda e a direita do piloto, por sua vez são divididos em dois retângulos que dão espaço confortável para 5 a 6 pessoas. Todas as bordas do cesto são revestidas de espuma com couro sintético, tipo um sofá, e nas paredes há diversas alças de corda para os passageiros se segurarem durante o pouso e decolagem.

Nascer do sol no balão

É realmente lindo
Ainda que o Peter me inspirasse segurança, voar de balão é algo muito, mas muito primitivo mesmo. Imagina que você pegue bexigas de aniversários e amarre num cesto de piquenique. Voar de balão nada mais é do que isso em grande escala. E embora a parte de voo em si, seja incrível, o pouso e a decolagem são bem tensos.
Na decolagem o cesto está deitado, porém o piloto só libera sua entrada depois que uma certa porcentagem do balão está cheio e quanto mais o balão enche mais instável fica esse cesto em relação ao chão, portanto é como tentar entrar na caçamba de uma pickup enquanto o motorista fica dando uns quiques na caminhonete. E rola uma tensão porque o piloto fica gritando instruindo os passageiros para se deslocarem dentro o balão dentro o cesto para tentar um equilíbrio melhor ao mesmo tempo que aciona as labaredas que enchem o balão de ar quente. Só sei que na subida acabei tomando um tranco que derrubou meu óculos, por sorte caiu dentro do cesto. Presta atenção no início do vídeo (mais abaixo) que dá até pra ver esse momento.

O deserto visto de cima

“E agora como desce dessa bagaça?”
Depois desse susto de decolagem, a parte voo de balão propriamente dita é muito tranquila mesmo. Vimos o nascer do sol de cima do deserto e é realmente incrível. O sobrevoo pelo deserto é muito calmo e dá uma paz incrível. É super silencioso (menos nas horas que as chamas entram em ação para fazer o balão ganhar altitude), diferente de outros silêncios que já vivi. É estranho colocar dessa forma, mas foi como senti. Não era um silêncio normal. Lá de cima do deserto conseguimos avistar um ou outro coelho correndo pelo deserto, assim como um bando de gazelas. Quem disse que o deserto é deserto? 

Disfarçando a tensão pra sair bem na foto :)


A decolagem no entanto tinha me deixado bem tenso e da metade para frente comecei a ficar preocupado em como seria o pouso. Quando nos aproximávamos da parte final do voo, o Peter repassou o briefing da descida e nos fez entender quais as posições que deveríamos assumir na hora do pouso. Todo mundo no cesto fica virado para o mesmo lado e de costas para o chão de modo que quando o cesto cai no chão e tomba de lado, estão todos olhando para o céu.

E tudo terminou bem

Tradicional foto com o piloto

O pouso é também bizarro. É uma plataforma que despenca no chão e é arrastada lateralmente alguns metros pelo balão até que finalmente pare. Sinistro. É meio como brincar de montanha russa sem colete. Serinho, vou te falar que achei super legal e válido ter tido a experiência do voo de balão, mas não faço de novo não.

Abaixo segue o vídeo em baixa qualidade do nosso voo.

 

Escrito por Claudio Lemos