Difícil começar a falar sobre Veneza. Dizer que ela é única é chover no molhado…mas mesmo assim é impossível não concordar. A sensação de viver sob as águas é ímpar. Não existem calçadas da forma que estamos acostumados – separando os pedestres da rua destinada a carros/onibus/etc. Em Veneza, tudo que não é água, vira calçada. Carro, bicleta, moto…esquece. As opções são a pé ou de barco. Andei de barco apenas duas vezes durante os três dias que fiquei por  lá: primeiro num rápido percurso a bordo do vaporetto, o “ônibus” local que circula Canal Grande, e depois o emblemático passeio de gôndola. Fora isso, andei bastante por lá que na real é muito mais legal.
Andar a pé em Veneza é garantia de ficar perdido. As ruazinhas se confundem, as placas indicam duas direções para o mesmo lugar, são várias passagens estreitas e arcos que levam a outras passagens estreitas e arcos…olha é difícil se achar, mas ao mesmo tempo o charme local reside neste mesmo fato. É incrível se perder pelas ruazinhas e se cruzar as mais de quatrocentas pontes sobre os canais da cidade. A impressão que tive de Veneza é que ela é a melhor cidade para se passar um fim de semana de descanso a dois. É uma cidade romântica demais. Tudo bem que como turistas a gente acabe querendo conhecer os pontos mais famosos da cidade como a Piazza San Marco (onde ficam a Basílica San Marco e o Palazzo Ducale), a Ponte Rialto, a galeria Peggy Guggenheim e Museu Della Academia. Em dois dias você consegue ver tudo isso sem correrias e aí é que a cidade fica ainda mais charmosa, porque sobra tempo para você simplesmente flanar por ela. Eu confesso que fiquei extremamente encantado! E olha que fui no inverno, quando o vento castiga diminuindo ainda mais a sensação térmica. O lado bom do inverno é que impede o mal cheiro que a cidade exala no verão. Não sei exatamente qual é a relação, mas pelo que li dos relatos é verdade.

Luxo, poder e glória

Quanto a hospedagem, eu super recomendo o Hotel Canal Grande! É muito bem localizado, pertinho da estação de trem (sem malas pra carregar é papo de 5 minutos), o que facilita muito a chegada ou saída da cidade, e ao mesmo mais afastado da muvuca de San Marco, te permitindo conhecer e se perder por cantinhos bem charmosos da cidade.

O hotel está novo e muito bem conservado. O qualidade do serviço durante minha estadia foi excelente. Voltaria com certeza ao local. O café da manhã é muito bom também. Peçam o capuccino! É delicioso! E ainda tem um deck privativo na frente do hotel onde se pode degustar um sptriz a tarde.

Os quartos tem uma decoração classuda, mas de bom tom e agradável de ficar. A roupa de cama é de boa qualidade, o colchão é bom e o travesseiro idem. O banheiro poderia ter um pouquinho mais de espaço, mas isso não atrapalha nem um pouco a experiência do hotel. Aliás demos uma sorte pois por causa de um overbooking, acabamos ganhando um upgrade de quarto :)

Queijos & vinhos & prosecco no quarto pra relaxar

As Atrações

Galeria Peggy Guggenheim

Esculturas nos jardins internos do museu

Se tinha uma coisa que não esperava encontrar em Veneza era arte contemporânea. Associava a cidade a uma época mais antiga, a arquitetura encontrada na Piazza San Marco e o padrão de prédios da cidade inclusive apontam para um passado mais remoto, mas é sempre bom se surpreender. Eu não conhecia nada história da Peggy Guggenheim, pra ser sincero nem sabia que ela existia, mas o fato que é a sobrinha do Salomon Guggenheim (que fundou o famoso museu de NY) era uma mecenas da arte assim como seu tio. Ela durante um período da vida morou em Veneza num enorme casarão que hoje foi transformado na Galeria. O acervo é incrível: Picasso, Magritte, Miró, Pollock, Alberto Giacometti e vários outros artistas contemporâneos. Vale muito a visita! Inclusive pela casa que ainda conserva parte dos móveis da época em que Peggy viveu lá.

Piazza San Marco

Fim de tarde em San Marco
 

A Piazza é o principal ponto turístico de Veneza. Invariavelmente é pra lá que você será conduzido durante a sua estadia pela cidade. Na piazza estão a Basílica de San Marco, o Palazzo Ducale, a Torre do Relógio, o Campanário e as saídas de gôndolas mais emblemáticas de Veneza – aquelas que contam com a passagem por debaixo da Ponte dos Suspiros. Vamos por partes, primeiro falando da praça em si. É quase impossível tirar uma foto lá é paz. São hordas de turistas para todos os lados, e a menos que você chegue na praça muito cedo, ela já vai estar movimentada. Relaxe e misture-se no meio da turistada, afinal você não foi morar lá, certo?

A Basílica San Marco está atualmente passando por obras de restauro. A visitação é permitida, mas a vista por fora está um pouco prejudica por conta de alguns andaimes e tapumes. Como não é permitido tirar fotos dentro da igreja, não tenho registros de lá. Há belos mosaicos que já carecem mesmo de restauração, afinal a estrutura atual da Basílica data de 1063 (!). Outro ponto que chama atenção são os Cavalos de San Marco, esculturas enormes da antiguidade clássica que chegaram a ser retirados de lá por Napoleão, mas já foram devolvidos ao local.

Palazzo Ducale

Encostado na Basílica está o Palazzo Ducale que é lindo demais. Ali funcionava a antiga sede do poder de Veneza, lar do Doge, o bambambã da cidade. Como todo palácio que se preze, há salões enormes, com pé direito altíssimo que ao longo dos anos foram preenchidos por várias obras de arte, principalmente de artistas como Tintoretto e Veronezze. A arquitetura também é impressionante, com destaque para as fachadas em estilo gótico, as duas escadarias (Scala dei Giganti e Scala d’Oro) e a Ponte dos Suspiros. Reserve aí umas duas horas para rodar bem o lugar.

 

Mirante do Campanário

O prédio do Campanário em si não tem grandes atrativos, porém no topo dele está o mirante mais alto da cidade onde você terá a rara chance de ver a cidade de uma perspectiva mais ampla, porque como já mencionei antes Veneza é um emaranhado de vielas e passagenzinhas pra labirinto nenhum botar defeito. Vejam só:

Passeio de gôndola

A visita a Veneza não ficaria completa sem andarmos de gôndola, certo meu povo? Não dá pra evitar é um must-do da cidade. Só fique o aviso de que é caro. Só para você ter uma idéia, eu e a Claudia fizemos o passeio noturno com cerca de 4km saindo de San Marco por 70euros, sendo que o gondoleiro começou pedindo 150euros. (a Claudia arrasa mesmo nessas negociações de desconto ;)Dificilmente nesse trajeto o valor será menor que os setenta que pagamos, mas lembre-se vale sempre a barganha. Outro ponto a considerar também é o horário.A noite o passeio é bem mais agradável e silencioso. Veneza é uma cidade que dorme cedo, e durante o dia é um entra-e-sai de barcos a motor sem fim, mas a noite o cenário é outro. A gôndola é super silenciosa e o passeio flui incrivelmente. Pena que seja difícil fotografar, mas a memória fica :)

Escrito por Claudio Lemos