Até entrar na faculdade, o máximo que bebia em termos de alcoól era um Keep Cooler e olhe lá! Logo na primeiro churrasco de calouros peguei um trauma de vodca que durou cerca dez anos (até provar uma vodca russa que me curou desse susto). Claro que em tempos universitários a única coisa que importa é o preço. Sendo barato, tá bom. Não que vinho precise ser caro, é apenas uma outra época de vida. De qualquer forma, lembro de uma conversa que tive com a minha tia que me marcou. Eu tinha lá pelos meus vinte anos de idade e estava estudando comunicação com todas as chopadas que se tem direito. Começava a apreciar os maltes da Escócia, mas não gostava muito de vinhos. Falei isso para a minha tia que com toda sua sabedoria me disse: “Calma, você ainda vai chegar lá!”. Ela não poderia estar mais certa :)

Tive uma curva grande de aprendizado sobre vinhos, principalmente nos últimos cinco anos. Visitei vinícolas no Chile e no Uruguai, aprendi o nome de um monte de uvas, e já mais ou menos consegui identificar os tipos de vinho que mais me agradam. Daí a ser entendido no assunto, ainda há um imenso hiato. E de qualquer forma nem é a minha pretensão. Para mim, o aspecto mais interessante do vinho é a socialização que ele trás a reboque. É uma excelente companhia para aqueles encontros com amigos, família, conjugê, etc. Isso na Europa é martelo batido há muito tempo, mas aqui pelas terras tupiniquins parece que ainda há um boa estrada para a popularização do vinho, tanto é que os vinhos nacionais são superdesvalorizados no inconsciente coletivo e depois dessa passagem por Bento vejo te falo de cadeira: os nacionais não ficam nada a dever aos gringos.

Outra coisa que também surpreendeu em Bento é que ao contrário do poderia se supor, essa viagem não é necessariamente para quem já entende de vinhos, podendo ser inclusive uma excelente introdução a mundo dos vinhos e espumantes (que são deliciosos, bem melhores que os estrangeiros). Todas as vinícolas oferecem degustação dos seus produtos, pelo menos todas as que visitei ofereceram. As vinícolas mais estruturadas costumam cobrar pela degustação. A Casa Valduga por exemplo dá até de brinde uma taça de cristal com a logo da casa. Em geral, o preço da degustação não ultrapassa os R$10/pessoa. Há vinícolas que isentam a degustação, caso você venha a adquirir algum produto da casa. E há ainda várias vinícolas que nem cobram a degustação. Pra ser sincero, o mais difícil é conseguir lembrar/distinguir todos os vinhos que você irá provar. A minha tática era pedir logo de cara o catálogo da vinícola e já anotava ali mesmo no papel durante a degustação, porque se deixar para fazer isso depois de algumas taças, a coisa complica.

Mesmo sem visitar os medalhões locais como Miolo, Chandon, Salton e Aurora, em apenas três dias e meio, conseguimos a proeza de visitar onze(!) vinícolas: Casa Valduga, Titton, Marco Luigi, Barcarola, Terragnolo, Salvati & Sirena, Pizzato, Cave de Pedra, Lídio Carraro, Don Laurindo e Dom Cândido. E ainda deu tempo para passar na Vallontano, na Vivato, nos Couros do Valleh, na Casa Madeira e no Cogumelos da Serra. Ufa!

Um sacão de cogumelos sai por uns R$5,00

Os cogumelos são fresquinhos e deliciosos. O gosto é muito diferente dos cogumelos em conserva dos supermercados.

Eu que não gosto de cogumelos, achei o sabor incrível.

As vinícolas que mais prenderam a minha atenção foram a Lidio Carraro, Barcarola, Pizzato, Cave de Pedra e a Valduga, mas vou fazer um post separado bem ilustrado sobre a visita dessas vinicolas. Como ia dizendo anteriormente, Bento é uma excelente introdução ao mundo dos vinhos, pois cada degustação é uma aula ao vivo. Em geral, os guias que conduzem as degustações pertencem a um destes grupos:

a) estudantes de Viticultura e Enologia (há uma faculdade desse curso em Bento)
b) empregados da vinícola que conhecem todo o be-a-bá da produção
c) os próprios donos da vinicola

A quantidade de informação que eles possuem é incrível: informações sobre o terroir (o solo da região), as variedades de uva (chardonnay, cabernet, merlot, etc), o tamanho das videiras, quantos kilos/ano de uva são aproveitadas em cada videira, técnicas de plantio, etapas da produção do vinho, quantidade de produção anual de garrafas, métodos de armazenamento, mesclagem de uvas… é impressionante mesmo. E como falei anteriormente, não precisa ser entendido no assunto: qualquer dúvida, basta perguntar aos especialistas que eles estão ali para te ajudar. Durante a degustação eles vão adicionando infos específicas de cada vinho que será servido na sequência. Uma baita duma aula! E pra quem já tem algum conhecimento, taí mais uma oportunidade de aprimorá-lo e claro conhecer novos vinhos :)

Além de excelente vinhos, a região também produz sucos de uva sensacionais. Não raro, as vinícolas também tem suas produções originais de sucos de uva. A Terragnolo faz um suco ótimo e a família Valduga, apostando no segmento, criou a Casa Madeira uma delicatessen que produz geléias, balsâmicos e sucos incríveis como o de Suco de Uva Integral Rose. Fiquei fã desse suco e com certeza vou fazer uns pedidos aqui para casa.

Fiquei fã!

Aliás, falando nisso todas as vinícolas trabalham com entrega, sendo que o pedido precisa ser em em múltiplos de seis por conta do tamanho caixa de vinho. O frete varia de vinícola para vinícola, e claro que várias delas isentam o frete a partir de um determinado valor da compra. Uma dica é juntar uns amigos e encomendarem juntos, pois aí o frete é diluído ou mesmo desaparece. Vale a pena, anote os nomes dos vinhos que você mais gostou e divulgue pros amigos, afinal os vinhos brasileiros podem e devem ser mais conhecidos pelos brasileiros :)

Despacha lá em casa heheheh

 

Escrito por Claudio Lemos