Confesso que não sou exatamente um fã de trekkings. Esse negócio de se meter no mato e ficar três dias andando pra chegar no pico do sei-lá-o-que, enfrentando mosquitos, dormindo de qualquer jeito não me atrai muito. Ainda que curta bastante apreciar cenários da natureza, mirantes, cachoeiras e afins, gosto de pesar bem o custo-benefício antes de pensar em fazer qualquer atividade assim.


Serra do Espírito Santo

Bem ao estilo da Table Mountain em Cape Town
Na programação da Korubo, existe um dia aonde está previsto a subida ao Mirante da Serra do Espírito Santo. É uma serra que me lembrou muito a Table Mountain de Cape Town. Parece um grande mesão, com um platô enorme na parte mais alta da montanha. Ela domina a paisagem do Jalapão e todos os dias de passeios com no Korubão você vai acabar passando perto dela. O bom é que com isso ao revezamento para subir no parte aberta do caminhão flui sem problemas. Como só podem quatro pessoas subirem por vez, o guia vai revezando a cada quinze minutos mais ou menos, batendo na perna do pessoal para avisar que está na hora de dar lugar aos colegas de classe.
O trekking até o mirante possui cerca de 8km, sendo 1km de subida e 3km em linha reta na platô da serra, totalizando mais ou menos umas 4h de andança em ritmo confortável. A caminhada não é difícil, o staff providencia cajados para auxiliar a subida e há alguns bancos pelo caminho para quem quiser fazer uma paradinha. Indo devagar, qualquer mortal (sem problemas crônicos de saúde) consegue fazer a travessia. Na caminhada seguem 3 funcionários da Korubo, um na dianteira com o grupo mais ativo/apressadinho, outro funcionário vem com o pelotão do meio e um último vem como vassourinha, acompanhando o grupo mais lento. A trilha é toda bem demarcada, então não há nem como se perder. O maior adversário desse trekking não é nem a distância ou o esforço físico, mas sim o clima. A Korubo costuma marcar a saída do trekking mega-cedo, pois o ideal é que os grupos já comecem o processo de descida da Serra às 10h30 da manhã quando o calor fica realmente tenso para caminhar. Mas quem disse que o sol apareceria pra gente?

Foi só chegarmos lá para chuva começar a cair

O jeito for vestir capa de chuva e seguir em frente

Bora montanha acima!
Já sabíamos de antemão que o dia não seria dos mais auspiciosos, climaticamente falando. Mas não tínhamos muitas opções então partimos para a trilha mesmo assim. Quando o Korubão chegou ao ponto de partida do trekking, descemos do caminhão e colocamos a capa de chuva pois estava garoando um pouco. E bora atacar a montanha! O cume da serra estava nublado, mas mesmo assim fomos em frente. A chuva ia e vinha, em alguns momentos até tiramos a capa de chuva por conta do calor. Após o primeiro 1km de subida chegamos ao platô, aonde o Mauro leva o grupo a um pedregulho para fazer fotos panorâmicas individuais. Depois seguimos por mais 2km até finalmente chegar ao mirante que daria vista para as Dunas do Jalapão. Daria se não fosse o nevoeiro que não deu trégua lá em cima, né? Parecia que estava andando em meio aos cenários do Walking Dead e a qualquer momento viriam uns zumbis para nos caçar.

Logo após a subida, o Mauro nos leva até um pedregulho para fazermos fotos panorâmicas

E bora caminhar mais um pouco até o mirante

A chuva volta a apertar um pouco

E o cenário vira um set de Walking Dead

Mantendo o moral sob chuva

Finalmente chegamos ao mirante, mas quem disse que tinha vista?

Ainda esperamos uns 20 minutos mas acabamos desisindo de ver as Dunas desde lá de cima
Finalmente chegamos até a ponta do mirante e ainda demos uns 20min por ali para dar uma chance ao tempo, vai que bate um vento e dá uma limpada né? O Mauro nos contou que em oito anos de Korubo fazendo essa trilha toda semana, éramos a terceira turma azarada que não conseguiu ver nada lá de cima do mirante. Fazer o quê né? Nem sempre podemos ganhar todas…Voltamos o caminho inteiro com a chuva ora mais forte, ora mais fraca. Com os pés encharcados, chegamos até o Korubão que nos levou de volta pro acampamento aonde teríamos um resto de tarde livre. Durante uma semana normal da Korubo, esta tarde livre poderia incluir uma flutuaçao pelo Rio Novo, mas pra nós só restava torcer para o tempo melhorar nos dias seguintes.
Escrito por Claudio Lemos