O Presídio de Ushuaia

Nas pesquisas prévias que fiz sobre Ushuaia havia lido sobre o complexo de museus em que foi convertido o antigo presídio da cidade. Sinceramente nem havia me animado muito sobre o local, mas como não conseguimos reservar o passeio para a pinguinera da Estancia Haberton, acabou que sobrou um tempo livre e resolvemos ir la conferir.

As alas prisionais. Essa é a parte transformada em museu.

Já visitei prisões anteriormente em Ouro Preto e em Cape Town, mas confesso que tenho mixed feelings sobre essa modalidade de turismo. Não é exatamente um lugar agradável né? Dá um certo baixo astral pensar nas pessoas que ficaram confinadas ali, independente da razão ou conjuntura de fatores que as tenha levado aquela condição.

Mas o fato é que o presídio de Ushuaia tem ainda um agravante por se tratar de uma prisão no fim do mundo. Pensa só: imagina o desespero de ser mandado para lá numa época em que viagens de avião não eram comuns e não havia meios de comunicação rápidos. Veja bem: o presídio foi desativado em 1947. Ser mandado para  lá era um isolamento forte mesmo. Não apenas do convívio social mas também um isolamento geográfico.

Um dos dioramas dentro do presídio

Na visita ao presídio dá para conhecer um pouco dos casos de presos que tentaram fugir e morreram devidos as condições climáticas ou então que acabaram voltando voluntariamente depois de fugir e não conseguirem ir muito mais longe dali.

Não se assuste com a muvuca! É apenas a visita guiada :)

Hoje o antigo presídio abriga o Museu Marítimo de Ushuaia, o Museu de Artes Marinhas, o Museu Antártico e o Museu do Presídio que tem uma primeira ala mais bem cuidada e conservada com diversos painéis e dioramas expositivos, mas também tem uma ala conservada exatamente como era na época dos presos. E aí você sente o drama que era estar ali na época em que ele funcionava. A construção do prédio não favorecia a circulação de ar e contribuia para que o ambiente fosse bastante frio por natureza. Não era raro os prisioneiros ficarem doentes com bronquites e pneumonias. Simplesmente não havia esse cuidado digamos  hospitalar na edificação prédio.

Os outros museus do complexo chamam menos atenção, gostei de ver um pouco das artes e do Museu Antártico, mas o grande chamariz mesmo é andar por dentro das galerias do presídio. Não sei se é exatamente um must see, mas foi válida a experiência.

Adiós, fin del mundo! Esse carimbo maneirinho
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Meus caros, com esse post encerro a série Patagônia, mas stay tuned pois pretendo ainda voltar com posts das viagens que fiz e ainda não arrumei corgem/tempo/disposição para começar a escrever. Tem muita coisa legal para contar sobre Versailes, Paris, New York, Bruxelas, Bruges, Barcelona, Foz do Iguaçu, Alter do Chão, Bento Gonçalves, etc. Arrumar as malas, bater perna, filas intermináveis, comidas exóticas, drinks maravilhosos, músicos de rua, pegar trem na direção contrária, perrengues, compras maravilhosas, amigos inusitados…tudo pode acontecer. Vai viajar? Então aperte os cintos e vamos lá! E até logo.

Escrito por Claudio Lemos