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Plana sub, diversão garantida

“- Cara, a gente fez o plana-sub. Foi muito maneiro!”, me contou um amigo anos atrás quando perguntei a ele sobre a viagem dele a Fernando de Noronha.

Plana-o-quê? Conte-me mais sobre isso…Então ele falou sobre um passeio de barco aonde você mergulha com uma pranchinha e tal. Embora a descrição que ele tenha me dado não tenha sido a mais elucidativa do mundo, dava para ver no rosto dele a alegria que fora aquele passeio. Arquivei a info na memória e depois esqueci. Aí durante o planejamento de viagem esbarrei de novo no assunto plana-sub em algum blog e a conversa voltou imediamente a mente.

Conforme descobri na ilha, o plana-sub é uma invenção original de Fernando de Noronha. Aliás quem a criou foi o Leonardo Veras que deu a palestra dos tubarões. E como é que funciona? Bom vamos lá, trocando em miúdos o plana-sub é um mergulho a reboque. A mecânica não é diferente de o pai ou tio uma criança pelo braço na piscina, só que desenvolvido para adultos. O plana-sub é uma prancha de acrílico transparente do tamanho do antebraço de um adulto, abaulada nas pontas superiores e com uma fresta na parte superior para segurar. Olha só:

aB0B07A prancha é amarrada numa corda com cerca de 5m de comprimento que está presa ao barco na outra extremidade, que segue a uma velocidade de 1 nó puxando o mergulhador. Em terra, seria comparável ao ritmo de uma pessoa andando. A velocidade deve ser baixa, caso contrário seria um exercício muito penoso para os antebraços. A prancha tem uma leve curvatura na parte superior. Se você deixar a curvatura para cima, é bem difícil afundar. Você irá permanecer na linha d’água e basta olhar para baixo para acompanhar o cenário subaquático passando por você. Quem mergulha está acostumado ao uso de snorkel, basta usar a curvatura para baixo e aproveitar o reboque para descer até 4m em apnéia. O controle da prancha é bem simples. Uma leve inclinação para cima, baixo, esquerda ou direita e ela responde na hora. Muito tranquilo de “dirigir”. É o tipo de passeio barato de propor e que poderia ser muito bem aproveitado em zilhões de destinos de praia no mundo. Sérinho, no Caribe isso faria muuuuito sucesso…enfim #ficaadica

O passeio de plana-sub costuma ser oferecido como complemento ao tour de barco pela ilha. Na parte da manhã, o barco sai do porto e segue a direita em direção as ilhas da Rata. É praticamente certo de avistarmos diversos golfinhos nadando ao lado do barco até lá.

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O guia vai contando ao longo do caminho um pouco sobre a história da ilha

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Depois o barco volta até a outra extremidade de mar de dentro, a Ponta da Sapata aonde, com força de vontade e imaginação, podemos ver o mapa do Brasil delimitado pelo vão na pedra. Demos sorte pois no trajeto ainda encontramos muitos golfinhos também na Baia dos Golfinhos, normalmente eles não costumam estar ali na hora que os barcos passam (cerca das 10h da manhã), mas no dia em que fomos eles ainda estavam lá.

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E surgem os golfinhos pra acompanhar o barco

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A navegação passa por todas as praias do mar de dentro: Porto, Biboca, Cachorro, do Meio, da Conceição, Boldró, Americano, Bode, Cacimba do Padre, Baía dos Porcos e Sancho, sendo que há uma parada estratégica de 1h para nadar no Sancho. Os golfinhos deviam estar com preguiça nesse dia pois quando mergulhei no Sancho era possível ouví-los ao longe debaixo d’água. Na sequência é servido o almoço do barco e então retornamos ao Porto para trocar de barco.

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No caminho passando pelo Morro do Pico na praia da Conceição

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O Morro Dois Irmãos na divisa da Cacimba com Baía dos Porcos

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O Sancho visto do mar

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Com uma dose de boa vontade dá pra ver o mapa do Brasil aí!

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Pausa pro mergulho no Sancho

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Após a troca dos barcos, encaramos a segunda etapa do passeio que é a maior diversão do dia: o plana-sub! O trajeto do plana é curtinho, cerca de meia hora. No barco em que estávamos (da cia Trovão dos Mares) era possível descer seis pessoas por vez. Então eles dividem dois grupos. Um faz o plana no trajeto de ida e o outro no trajeto de volta. Caso dê sorte do passeio estar vazio, dá até pra conseguir ficar mais tempo embaixo d’água. Vimos tubarões, tartarugas e uma infinidade de peixes. E o mais legal é que ele passa por cima do naufrágio do navio grego “Eleani Stathatos” ali na praia do porto, aonde há uma concentração de vida marinha incrível.

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Escrito por Claudio Lemos