Já haviam me avisado sobre a eficiência do transporte em grandes cidades como Londres e NY. E mesmo antes de sair de casa, pesquisei bastante para tentar entender como funciona do transporte por lá. É impressionante como um pouco de planejamento pode facilitar a vida de milhões de pessoas.

Aqui no Brasil, temos um bom exemplo que é Curitiba. Quando estive lá ano passado pude sentir o benefício na pele. A cidade tem onibus que fazem o trajeto interbairros e outros apenas no bairro sendo que a integração é feita no próprio ponto, que é fechado e com roleta. Funciona basicamente como um metro, só que na superfície.
Oyster Card 
Se eu que já havia ficado satisfeito com Curitiba, imagina então Londres, que tem um cartão inteligente, o Oyster Card, aonde você pode integrar metro, trem e ônibus. E ainda pensando no passageiro, o Oyster vai esforçar ao máximo para que você pague o mínimo. Pois existem várias modalidades de passes –diários, semanais, mensais, no horário do rush, fora do horário do rush, etc – e é difícil de entender no começo, mas depois que voce pega o jeito é uma maravilha. O cartão é recarregável. Vi diversos postos de autoatendimento nas estações de metro, mas como ficava meio receoso preferi recarregar diretamente no guichê.
Outra coisa que é demora um pouco é aprender a hora de validar o cartão. Os ônibus não possuem roleta mas próximo ao motorista há uma área de validação do cartão, semelhante aos que existem aqui no Rio (como Riocard). No metrô, ou melhor, no Tube, como os ingleses chamam, é preciso validar o cartão na roleta tanto na estação de embarque inicial quanto na estação desembarque final da sua viagem. E isso faz sentido pois o tube cobre uma área grande da cidade, sendo inclusive dividido em zonas – zona no total. E dependendo das zonas que voce transite a tarifa debitada no seu cartão pode ser maior ou menor.
A validação dos trens, em tese, é igual a dos metrôs. Digo em tese, porque nem sempre há ponto de validação na saída dos trens. Então não se grile se não achar um ponto de validação na saída. Siga tranquilo.
 
Ônibus Double Decker 
Engarrafamento de night buses na Oxford Street
 
O Double Decker é praticamente um patrimônio londrino. Os ônibus de dois andares são um símbolo mundialmente conhecido da cidade. Você vai reparar que os ônibus são muito limpos por dentro, e em geral são veículos novos também. Não tem estes sucatões ambulantes cheios de barata, comuns aqui no Rio. São tão confortáveis quanto um onibus de cidade pode ser. Tem um sistema interno de autofalante que avisa o nome da próxima parada, então é só ficar atento para não perder o ponto.
No segundo andar somente é permitida a viagem sentada (no primeiro andar pode ficar em pé sem problema). E é um must do da cidade. Experimente sentar na primeira fileira do segundo andar e vá apreciando o trajeto de cima.
 
Trens e metros 
Os trens da cidade são muito parecidos com os trens/metros daqui. Também são limpos por dentro, exceto pelo fato que de sempre há um jornal largado num banco. Lá existe um jornal chamado London Paper que é distribuído gratuitamente diariamente nos trens e nos tubes. E todo mundo lê durante a viagem, mas na hora de descer, simplesmente largam o jornal no assento para o próximo passageiro pegar e ler também.
Uma coisa que você precisa saber é que as linhas de Londres tem nome: Circle Line, Piccadilly Line, Northern Line, etc e além disso cada uma tem a sua própria cor. Não se assuste com a quantidade, você vai descobrir que as estações são todas muito bem sinalizadas. Só fique atento em relação ao sentido que voce quer ir northbound(norte)/southbound(sul) ou eastbound(direita)/westbound(esquerda) para não pegar o trem na direção errada.
Londres é uma cidade muito frenética, as pessoas estão sempre correndo de um lado para o outro. O passo de um cidadão normal é bem mais rápido do que estamos acostumados e rapidamente você vai aprender que se quiser ficar parado em pé na escada rolante é melhor ficar na direita, porque a esquerda é para quem está com pressa e precisa subir andando a escada rolante. Acredite, você irá aprender isso por bem ou por mal.
As mini-plataformas do tube
Vagão apertado – só cabe uma pessoa em pé no corredor entre os bancos.
 
O teto do vagão é baixo e curvo proximo a porta de entrada/saída.
 
Eu particularmente preferi de andar de trem, pois faz menos paradas em estações e tem um pouco mais de espaço interno nos vagões. O tube londrino é muito antigo, as estações mais centrais (boa parte de zona 1) são pequenas e os túneis por onde passam os tubes também são pequenos. E o resultado disso é uma sensação claustrofóbica horrível. Você tem literalmente a sensação de estar num formigueiro, debaixo da terra e apertado com um monte de gente. É um horror. Eu odiava pegar os metros na zona central de lá. E eu falei sobre o ar-condicionado? Pois é, não existe. E tem horas que bate um desespero: o ar viciado, um calor, cheio de gente…Mas enfim o tube te cobre boa parte da cidade. E esta sensação claustrofóbica é mais na parte central, há linhas que tem vagões mais confortáveis.
Dizem que Londres é uma cidade com mais ratos do que seres humanos e que sempre é possivel ver uns ratos na linha do metro. Eu bem que tentei achar um mas não consegui e sempre me dizem que é impossível e que eu não devo ter prestado atenção direito, mas o fato é que não vi mesmo.
Apesar da boa cobertura o horário de funcionamento só vai até cerca de onze e meia da noite. Então há uma correria de saída dos pubs/teatros/afins para não perder o último trem que só volta a circular as cinco da manhã. Para quem fica na rua resta depende dos night buses que passam a cada trinta minutos mais ou menos, mas pode não ser muito aconselhável ficar 30 minutos em pé na rua sentindo frio (dependendo da época do ano). Então planeje-se para não perder o trem.
Se depois disso tudo que leu acima você ainda está confuso, tudo bem isso é normal. Também fiquei cheio de dúvidas quando resolvi “estudar” o sistema de lá, mas não tem problema. Entre no site do sistema de transporte público londrino, lá voce vai encontrar mapas, horários de funcionamento, preços das passagens, simulações de como ir, enfim tudo relativo ao transporte na cidade. Guarde o link com carinho para quando for a cidade.
Escrito por Claudio Lemos