Desde moleque sempre tive gosto por história em quadrinhos. Lembro que lá pelos seis ou sete anos de idade, meu pai fez uma assinatura da Turma da Mônica pra mim. Eu ficava ansioso todo mês esperando chegar na caixa de correios aquele pacotinho de plástico cinza que vinha endereçado no meu nome. Quando se é criança, receber algo pelo correio no seu nome por si só já é uma emoção. Hoje em dia, a maiorias das coisas que recebo pelo correios são faturas mesmo. Gás, luz, aluguel…essas coisas de gente adulta. Era tão mais agradável receber quadrinhos né mesmo? Mas o que isso tem a ver com o Centro Cultural La Moneda? Já chego lá.

O Centro Cultural fica exatamente embaixo do Palácio do Governo
Hall interno do centro cultural com animais africanos em papelão por conta da expo africana
O negócio é que uma vez que o gosto por quadrinhos se estabelece, isso pega que nem praga. Sem refutar a Turma da Mônica (até hoje se uma revista der mole perto de mim, começo a ler na mesma hora), cheguei na adolescência e entrei no universo Marvel e algumas coisa da DC também. Aí vieram os AnimaMundis, os filmes da Pixar e da Aardman, as tirinhas da Folha SP e nunca mais deixei de lado esse universo. Volta e meia, paro na seção de quadrinhos de uma livraria e folheio um pouco. Pois bem, havia comprado em 2011 um gibi chileno chamado “Las Cronicas de Malik Cuatro Ojos” da Marcela Trujillo. 

Quadrinho que comprei em 2011 na primeira visita a Santiago

Nunca havia nem ouvido falar dele antes, mas curioso sabe como é, né? O gibi em si não tem nada especial, mas com ele aprendi que há uma escola grande e profícua de quadrinistas chilenos. O máximo de quadrinistas latino-americanos que conhecia até então eram nomes argentinos como Liniers, Quino e Maitena, mas chilenos? Não fazia pica idéia…(particularmente acho um saco isso dá gente ter mais informação sobre os EUA ou a França do que os países que são nossos vizinhos, mas isso já é papo para outro post)

O Palácio La Moneda, sede do governo chileno, abriga um Centro Cultural que fica localizado logo abaixo dele. A arquitetura de lá já vale a visita. Tem um átrio grande e espaçoso, uma Cafeteria Torres para fazer aquela pausa no seu dia. O centro é composto por salas de cinema, teatro e salões de exibições temporárias. Quando chegamos lá haviam duas exposições em andamento. Havia a exposição paga  sobre obras de arte africanas, oriunda do Museu Etnológico de Berlim e outra sobre Ilustração Chilena, que  ainda por cima era gratuita. Não foi nem difícil escolher.
A exposição reunia mais de 60 artistas chilenos contemporâneos, cada um deles teve três trabalhos expostos. É uma variedade incrível tanto de estilo quanto de traço. Foi uma experiência super rica, culturalmente falando. Na saída, a Claudia acabou trazendo para casa o catálogo da exposição e eu aproveitei para comprar uns quadrinhos chilenos sobre zumbis que invadem o Palácio La Moneda.

Não resisti e comprei os dois quadrinhos

Escrito por Claudio Lemos