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Francisco Brennand (Foto: Jorge Bispo)

No campo das artes plásticas, depois de ter visitado Inhotim em 2012, confesso não esperava mais encontrar nada assim tão soberbo pelas nossas terras tupiniquins. Mas mal sabia eu da existência dos Brennands em Pernambuco.

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Museu Oficina onde fica a maior parte do acervo de Francisco Brenannd

Pode ter certeza: cada um dos primos Francisco e Ricardo Brennand irão te surpreender, cada qual a sua maneira. Comecemos primeiro com Francisco que é um artista de mão cheia: escultor, pintor e artista plástico em plena atividade no alto do seus 86 anos. Ele mantêm seu ateliê no bairro da Várzea aonde está espalhado boa parte de sua obra. O complexo chama-se Museu Oficina Francisco Brennand e é bem complicadinho chegar lá por conta própria. Nós pegamos um táxi desde da Boa Viagem e a corrida custou R$44, mas os táxis de Recife tem um particularidade: não sei se o movimento lá é fraco ou se é apenas um costume local mas vários taxistas percebendo que você não é local se oferecem ao final da corrida para esperá-lo ali e então te levar de volta (ou ao próximo destino). Desligam o taxímetro e te esperam para a próxima corrida por uma ou duas horas numa boa. Fiquei de cara com isso! Mas é super comum por lá. Devo ter saído da cidade com pelo menos uns quatro cartões de visita de diferentes taxistas que nos esperaram em pontos turísticos e por sinal foram também muito simpáticos. Aliás, cada vez que saio e volto pro Rio fico mais deprimido pela constatação da falta de educação com o próximo e da falta de compromisso com o próprio trabalho/serviço aqui das bandas cariocas, mas vamos voltar o papo pras obras do Brennand que é mais legal.

São mais de 20mil peças entre esculturas, desenhos e pinturas. É impressionante! A começar pela própria propriedade em que está situada. Uma antiga olaria da família com uma área do tamanho de um sítio contendo um auditório, uma galeria, uma área para eventos, a oficina de cerâmica, o salão de esculturas, dois templos, uma cafeteria/restaurante e um jardim projetado por Burle Marx. O lugar por si só já é lindo, e além disso as obras do Francisco estão por ali espalhadas ao seu alcance. É uma imersão na obra do artista. E a própria filosofia dele é de que suas esculturas sejam obras aonde a interação não é somente permitida como desejada. O grosso do acervo é composto de esculturas com forte influência da cultura/mitologia greco-romana. Estátuas de deidades e divindades, além peças com traços fálicos e/ou eróticos. Muito legal!

 

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Quando você acha que já absorveu a obra do Brennand, descobre que além de escultor ele também é pintor de mão cheia. A galeria intitulada Accademia (é com dois C mesmo) abriga um acervo de quase 300 pinturas do Francisco com técnicas mistas (colagem, pintura a óleo, lápis) ora beirando o realismo e ora o cubismo. Demais! Para poder ver tudo com calma, pode contar em ficar ali pelo menos duas horas no complexo Museu Oficina. E antes de sair ainda dá pra tomar um café ou almoçar na cafeteria do local. O ingresso da oficina custa R$10 por pessoa e é simplesmente um must de Recife.

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A Accademia abriga cerca de 300 pinturas e desenhos do Brennand

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No próximo post: o Instituto Ricardo Brennand

Escrito por Claudio Lemos