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Quando eu era pequeno meu pai me levou para passear em Paquetá, uma ilhazinha que fica na baía de Guanabara que depois de anos no ostracismo voltou a ganhar um status hipster. Das lembranças da década de oitenta, ainda carrego comigo o trajeto de barca até lá, as charretes que ficavam na orla e as bicicletas onipresentes. Tudo isso simplesmente veio a memória no momento que decidimos incluir a visita a Ilha de Miyajima na nossa incursão pelo Japão.


A imagem do imenso torii vermelho sobre as águas da baía de Hiroshima funcionou como imã daqueles desenho animado que arrasta tudo pra perto. Simplesmente fiquei encantado com ela. E além disso, claro, quase todos os blogs que li de viajantes que foram lá indicavam a visita a ilha. Da mesma forma que agora a gente também indica pra quem vai ao Japão :)

Como chegar lá:


Usando o sensacional app da Hyperdia montamos o itinerário do hotel em Kyoto até a ilha de Miyajima. Metrô + shinkansen+ferry boat, tudo incluído na maravilha do JR PASS. Era uma viagem de pouco mais de 2h de duração.

Normalmente prefiro evitar bate-e-volta com mais de 1h30, porque acaba sendo cansativo no fim do dia. Dá uma sensação de correria pra aproveitar “tudo” que foi programado, mas como tínhamos poucos dias no Japão e havia lido um relato de alguém falando que dava para partir de Kyoto e visitar o combo Castelo Himeji-Hiroshima-Miyajima no mesmo dia, decidimos tentar também.

Agora que já fomos, super desaconselho! É maior roubada! Você vai ficar contando o tempo entre cada ponto, já preocupado em conseguir dar conta de tudo no mesmo dia. Melhor separar 2 dias/1 noite, fazendo o pernoite em Miyajima que é uma simpatia e fica bem mais tranquila no cair da noite quando os turistas vão embora.

Saímos cedo e o plano era ir direto para Miyajima, parando em Hiroshima na volta. O Castelo Himeji ficaria pra uma próxima vez, já que estava em obras. Pegamos o trem na Kyoto Station até Osaka, de lá outro trem-bala até Hiroshima, aí pega o trem normal até Miyajimaguchi anda até o terminal das barcas e pega o ferry, uma travessia curtinha de 10min, pra finalmente chegar em Paquetá, Miyajima. No ferry já é possível ver a distância o famoso Torii.

Depois de desembarcar, não demora muito, você começa a reparar um monte de veadinhos soltos por ali, passeando tranquilamente entre as pessoas. É um momento para ficar atento aos seus pertences porque os bichos são curiosos e não raro saem mordendo guias, folhetos e mapas do turistas. Aconteceu comigo. Tinha deixado no bolso de trás um mapa dobrado da ilha e quando vi, já era…

As lojinhas de souvenires e artesanatos já estavam abertas, esperando pelos turistas. Assim como as barraquinhas de comida de rua já preparavam cada qual seu tapa-buraco.

O turismo interno dos próprios japoneses já movimenta bastante a ilha. A principal atração de lá é o Santuário de Itsukushima, ligado ao xintoísmo. O famoso torii sobre as águas faz parte dele. É curioso ver que o papel da maré naquela pedaço de ilha. Se você chegar na orla bem cedo, talvez consiga andar a pé até o torii. Porém ao longo do dia, conforme a maré enche, a base do torii fica submersa, assim como a fundação das edificações do templo de Itsukushima. A tarde, parece que ele simplesmente levita sobre a água. Lindão!

A ilha é pequena então dá pra caminhar tranquilamente por toda a sua extensão. Saímos do porto em direção ao santuário, margeando a costa. É uma caminhada rápida, coisa de 15min talvez. No caminho há um ponto aonde é oferecido um serviço em que você pode entrar numa canoa estilo “Aventureiros do Bairro Proibido” para ir remando até a base do torii. Continuando pela orla, chega-se o santuário propriamente dito. Nós gastamos bem umas  quase três horas na ilha, fotografando bastante o santuário, o torii e, claro, as crianças japonesas que atravessavam o caminho da Claudia.

Teríamos ficado mais tempo lá, se não fosse a “obrigatoriedade” de ainda voltar no mesmo dia para conhecer Hiroshima antes de voltar pro hotel em Kyoto. Ao menos fizemos  um trajeto diferente na volta, que nos levou um pouco mais por dentro da ilha e desembocava no centro comercial perto do porto. Numa das barraquinhas dali do centrinho aproveitamos para enganar a fome. Encaramos um bolinho de arroz que tinha cara apetitosa, mas o gosto era mais ou menos. Enfim, acontece né…As lojinhas não tinham nada de diferente, parecia mais-do-mesmo naquele universo de souveniers e bugigancas. Pegamos e ferry de volta e fomos conhecer o sensacional Museu da Bomba Atômica em Hiroshima que vai ganhar um post em breve mais detalhado sobre essa experiência incrível.  Sayonara!

Escrito por Claudio Lemos