Quando era moleque na década de 80, a Amazônia era um tema quase esotérico. Ainda lembro do eco e do peso de palavras como Transamazônica e Zona Franca de Manaus. Era tudo muito distante da minha infância em Jacarepaguá embora me despertasse muita curiosidade. Corta pra 2012, um momento feliz de vida onde estou com várias milhas acumuladas e prontas para ser usadas nesse Brasil a dentro. Aproveitando uns dias off, parti junto com a Claudia para finalmente conhecer um pedaço da região norte  que nunca havia pisado antes.
Manaus é longe. Mesmo de Brasília, o hub central do país ainda leva duas horas de voo. Daqui do Rio, o voo direto leva 4h. Enfim, é o jeito mais fácil de se visitar um pedaço da Floresta Amazônica. A cidade em si é bem maior do que nossa ignorância pode supor, são quase 2milhões de habitantes, porém parece dimensionada para 200mil habittantes. Há trânsito (um tanto quanto caótico) e as ruas são estreitas, claramente não estavam prontas para receber a frota de veículos que passeiam por lá diariamente. O meu plano inicial era ficar apenas uma noite em Manaus e três num hotel de floresta, porém acabei diminuindo a estadia na selva e passei a última noite de novo na cidade. Já já te digo o motivo.
Cheguei a Manaus sabendo que queria ver o Teatro Amazonas e o encontro das águas. E além disso estava pronto para dar uma conferida no cardápio do Banzeiro, do Tacacá da Gisela (convenientemente na frente do Teatro) e provar os peixes da região.
Um parêntesis. Eu simplesmente não sei mais viajar sem pesquisar, um mínimo que seja, sobre o destino. Entro em blogs, guias e sites para pegar algumas referências, principalmente para decidir em que região me hospedar e onde comer. O Trip Advisor virou um dos meus melhores amigos ultimamente :)

ATRAÇÕES

Teatro Amazonas
O Teatro Amazonas é bem imponente por fora. Grandão, ocupa com destaque a praça onde fica localizada. Construído quase dez anos antes do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, representa todo o apogeu do ciclo da borracha no local no fim do século XIX. Por dentro ele é todo trabalhado, com pinturas e algumas colunas, porém dá pena de ver como ele está mal cuidado. Esperam que façam uma restauração urgente, pois é um patrimônio lindo de se visitar. Dei a sorte de estar na cidade justamente na época de um festival de cenas de teatro, o que na prática significou ver uma peça (duas cenas, a bem da verdade) e entrar no teatro de graça. O festival começaria em pouco mais de uma hora então aproveitei para fazer a primeira incursão na gastronomia local e fui direto a barraquinha do Tacacá da Gisela que fica na frente do teatro. O tacacá é uma coisa uma rica, rapaz. Bom demais! Logo ali ao lado a sorveteria trazia também opções locais como taperebá, açaí e cupuaçu. Provei os três, mas não gostei de nenhum…enfim acontece, né?
Tacacá da Gisela: recomendo :)
Quando saímos do teatro a fome já estava batendo e decidimos ir ao restaurante que parecia ser uma unanimidade das indicações de comida regional, o Banzeiro. O restaurante é tão bom que voltamos lá para mais um jantar na nossa última noite em Manaus. Uma noite, eu e a Claudia dividimos o risoto de pato no tucupi e o no outro jantar o escolhido foi o escondinho de tambaqui. Os dois pratos são incríveis e super bem servidos. Três conseguem comer numa boa. Se tiver por lá, vá ao Banzeiro. Indico fortemente.

PASSEIO – ENCONTRO DAS ÁGUAS

Chegado o momento mais esperado da viagem, finalmente veria o encontro das águas do Rio Negro (que tem uma cor de coca-cola) com o Rio Solimões (de coloração mais barrenta) que a partir deste encontro formam o Rio Amazonas, o maior rio em volume de águas do mundo. E vou te falar: que parada doida! Os dois seguem por uns bons kilometros, atenção eu disse kilometros!, lado a lado sem se misturar. É muito curioso mesmo, os rios tem temperatura, velocidade e ph diferentes. Fizemos um passeio que a princípio seria ida e volta numa barca de 2 andares que vai devagarzinha e demoraria umas 3h pra fazer ida e volta, o legal é que do segundo andar é bem mais perceptível a diferença das cores do rio que seguem lado a lado. Claro que esses passeios turísticos sempre te oferecem um extra pra dar aquele upgrade no passeio, neste caso o upgrade era a volta numa lancha rápida que passearia por nos levaria no meio dos igapós, visitando populações ribeirinhas e interagindo com jacarés, preguiças, sucuris etc. Resolvemos arriscar o upgrade e super valeu a pena! Podemos tocar nas águas do encontro dos rios e perceber a diferença de temperatura dos dois afluentes, ver de perto os igapós…Melhor mostrar as fotos, né?
 Vitória-régia, você só vê aqui na amazônia
 
 Os igapós
 
 a barca da ida
 
 o encontro das águas
 
ai que preguiça!

HOSPEDAGEM

O lobby do Ceasar

Fiquei hospedado em três hotéis diferentes na minha visita a cidade, sendo dois em Manaus e um na selva. A primeira noite ficamos no Caesar Business que está localizado próximo ao centro histórico da Manaus. É um excelente hotel, com um café da manhã dos mais completos que já provei no Brasil e o quarto é impecável com boa roupa de cama e um colchão ótimo. As próximas noites deveríamos ficar no Ecopark Lodge e eu estava na maior expectativa em relação ao hotel, porém acabou sendo uma grande decepção. Das três noites que havia separado para ficar lá, só fiquei duas, mesmo assim porque passei um dia inteiro fora do hotel fazendo um passeio – por sinal, muito bom  – do encontro das águas. A comida é mega sem graça, com pouca variedade e mal servida. Para piorar eu e a Claudia passamos mal por causa dela. Os quartos são simples, porém dignos. Com ar condicionado e chuveiro elétrico funcionando.  Na época da cheia, a entrada do hotel se transforma numa agradável praia de rio, muito acolhedora. As piscinas naturais do hotel, por sua vez ficam numa região um tanto erma e não tem um aspecto muito agradável.

Chegando no EcoPark
 

Para chegar no hotel é necessário pegar um trajeto de 20 minutos de barco a partir de Manaus, passando pelas calmas águas do rio Tarumã, afluente do Rio Negro. O hotel não provém internet de maneira nenhuma e o rede de telefonia celular dificilmente pega. Ou seja você fica ilhado e totalmente dependente da estrutura do hotel que cujos quartos não tem telefone para falar com a recepção e seus frigobares não são abastecidos. Se você perder os horários de café da manhã, almoço ou jantar a única opção é comer um misto quente no bar que também funciona em horários duvidosos.  Além disso o hotel terceiriza todos as atrações e passeios, não existe nem uma trilha gratuita que possa ser feita a pé a partir dele. Qualquer passeio que queira fazer, vais desembolsar mais uma grana.Todo o staff porém é bem simpático. E o guia índio Artêmio é muito bom! Pena para os turistas de fora do Brasil que ele não fale inglês.

Por último, fomos passar nossa derradeira noite no Hotel Tropical Manaus o mais tradicional da cidade, que está localizado na orla de Ponta Negra. O hotel é bem antigo, mas tem uma super estrutura e é bem confortável. Não é exatamente meu tipo preferido de hotel, até pela decoração colonial, mas tem seu charme.


Leia mais (avaliações que postei no Trip Advisor)
Hotel Tropical Manaus
Ecopark Lodge
Tacacá da Gisela
Encontro das águas
Teatro Amazonas
Restaurante Banzeiro
Ceasar Business Manaus Amazonas

Escrito por Claudio Lemos