fodors

Acabei de reparar que embora tenha virado especialista em planejar viagens (no plural, por favor), nunca escrevo posts ANTES da viagem em si. Um grande desrespeito a meus seis, ou cinco, fiéis leitores, não é mesmo? Porque ao olhar para trás tudo parece mais bonito e mais fácil, até os perrengues são motivos de risada. Mas e pra chegar até ali? Acha que foi molezinha?

O lance é que a gente vai pegando cancha, aprendendo os macetes e sem perceber deixa crescer uma autoconfiança incrível. Passa a acreditar que qualquer viagem pode ser feita assim num estalar de dedos. Aí você esquece da sua condição de macaco velho, mete a mão na cumbuca e decide ir pra India na sequência. E ainda arruma companhia pra viagem 😉

Segura na mão Khrisna

Existe a India e a “ideia de India” que cada um tem na própria cabeça. E vale dizer que minha “ideia de India” nunca foi das mais atraentes. E pra piorar, o meu “primeiro contato” com a India só reforçou isso.  Ainda assim existe algo meio exótico, esotérico ou místico (ou um curry misturando os três) a respeito de lá que faz crescer a vontade de confrontar a “ideia de India” com a India verdadeira. Seja lá o que signifique isso…

Não consigo mais relembrar a escalada de fatos ocorrida entre meu comentário pra Claudia sobre umas amigas pilhando de irmos pra India e estarmos todos sentados juntos, passagens em mãos, debatendo o roteiro da viagem.

O lado mais sofrido de escolher as cidades é ter de abrir mão de lugares que você gostaria de visitar. Impressiona a quantidade e a variedade de opções no cardápio de quem pretende visitar o país. De retiros espirituais a raftings, safaris de tigres (e de camelos) a megacidades como Mumbai e Delhi, de paraísos a beira-mar até trekking no Himalaia. Enfim, opções pra uma vida inteira.

Juro que queria ter uns 25 dias a mais de viagem para poder incluir Amritsar, Leh (e arredores de Ladahk), Rishikeshi, Varanasi, Khajuraho, Dharamsala e Mumbai, no roteiro mas infelizmente não será desta vez.

Nosso roteiro final concentrou os esforços no Rajastão e ficou assim:
– Delhi (2 dias)
– Agra (Taj Mahal) e Fathepur Sikri
– Jaipur
– Jaisalmer
– Udaipur
– Delhi (2 dias)

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Lendo assim parece mole, mas demorei quase um mês pra conseguir decupar a leitura do guia (super recomendo!)+ os trocentos blogs + videos no youtubeprogramas de tv apenas para entender qual seria o melhor caminho em função dos parcos 15 dias que conseguimos liberar na agenda pra turistar na India.

Nada na India é fácil. Por exemplo, você olha no mapa a distância entre duas cidades (cerca de 250km) e pensa “ok, deve ser uma viagem de no máximo 3h de carro”. Só que na pratica a viagem dura cerca de 7h devido ao trânsito caótico indiano e as péssimas condições das estradas.

E se formos de avião? Bom, Jaisalmer nem aeroporto tem…E o onipresente google te joga na cara que não há voos internos entre cidades Rajastão. Ou seja, teria que fazer conexão em Delhi ou Mumbai, ainda assim levando em consideração a escassa malha aérea.

Partiu trem? É, realmente os relatos todos falam que grande parte de India é conectada por trens e com suas oito classes/tarifas diferentes. Há espaço até pro mais canguinha (leia-se mão-de-vaca) dos mochileiros viajar 900km pelo preço de um pastel. Só que o serviço muitas vezes é lento e atrasa. Pode ser um atrasinho leve de 1 a 2h, mas pode chegar também a 48h…E como se fosse pouco, comprar a passagem online dá um trabalhinho (veja só nesse post como comprar seu bilhete de trem na India).

Nossa amiga que mora por lá e está se adaptando ao ritmo indiano postou no facebook há pouco tempo a seguinte pérola:

Dando as más notícias (a maneira indiana)
– seu X está pronto! (que você já espera há 1 mês)
– está sendo impresso agora
– vai demorar ainda 10 dias
– 10 dias úteis


Acha que acabou? No próximo post te conto como foi para tirar o visto indiano e a via-crúcis a respeito das vacinas recomendadas para tomar antes da viagem.

 

Escrito por Claudio Lemos