hiroshima station

A estação de Hiroshima. Aquela marquise ali atrás já é o ponto dos ônibus.

Seguindo a maratona bate-e-volta do dia, saímos de Miyajima por volta das 14h em direção a Hiroshima. Infelizmente o motivo que deixou a cidade internacionalmente conhecida não é nem um pouco feliz. Em 6 de agosto de 1945, o avião B-29 batizado de  Enola Gay soltou sobre a cidade a bomba que mudaria o curso da história.

Porque fomos a Hiroshima?

Uma vez que estaríamos no Japão e cobertos pelo JR Pass, decidimos ir Hiroshima pra conhecer ao vivo esta história e ver como é possível um lugar sofrer tamanha judiação e conseguir reerguer-se.

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
(Trecho de Rosa de Hiroshima de Vinícius de Moraes)

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O principal ponto de interesse de lá é Parque Memorial da Paz de Hiroshima aonde está localizado o museu de mesmo nome e o A-bomb Dome, a única ruína que sobrou na região central após a detonação da bomba atômica.

Chegando em Hiroshima e no Parque Memorial da Paz
O busão que leva até lá passa logo em frente a Hiroshima Station. E é tudo super bem sinalizado que foi tranquilo de entender. Lembra que falei do hyperdia que é uma mão na roda? Pois é :) O trajeto durou mais ou menos uns 20 minutos, passando por uma avenidona principal, até que finalmente chegamos na nossa parada, em frente ao prédio do museu.

bus japan

Bora lá?

bus interior japan

O busum por dentro

Hiroshima memorial museum

Museu Memorial da Paz de Hiroshima

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O antigo centro da cidade foi a área mais atingida pela bomba atômica. Não ficou pedra sob pedra, a exceção de poucas paredes do A-bomb Dome. Quatro anos após a detonação da bomba, as autoridades locais resolveram trasnformar aquele lugar num enorme memorial à Paz. Diversos cenotáfios, estátuas e monumentos estão dispostos pela área do parque. E todo ano, no dia 6 de agosto é realizado uma cerimônia em homenagem aos mortos por conta da explosão e o prefeito em exercício lê um documento pedindo a paz mundial e a eliminação por completo dos armamentos nucleares no mundo para que um horror como o Hiroshima nunca mais se repita.

Museu da Bomba Atômica

IMG_2039Eu tentava desencanar com o fato de que não teríamos muito mais tempo em Hiroshima para ver tudo com calma, mas pelo menos teríamos tempo suficiente para entrar no museu.  O bom é que como fazemos várias viagens ao longo do ano, a gente vai aprendendo a não tentar enfiar na programação mais do que o é efetivamente possível. Quando finalmente entramos no museu e ainda faltava umas duas horas antes do encerramento. Tempo suficiente né? Er…não sei. Nós acabamos saindo de lá naquela fase enxota-gente que os funcionários de museu vão fazendo uma barreira invisível, dando a entender que você precisa deixar o recinto.

O Museu da Paz de Hiroshima é ímpar no mundo. Porque a história dele não é exclusiva dali. É uma história que afetou o mundo inteiro. E a curadoria do museu faz um trabalho impecável que vai ao encontro dos lemas museu:

1) Eliminar todo armamento nuclear do planeta
2) Promover a paz mundial de forma permanente

abomb dome

Uma réplica do a-bomb dome dentro do museu

É simplesmente impossível sair do museu da mesma forma que você entra. Simplesmente não dá. Primeiro eles começam com uma parte mais histórica, recheado de zilhões de documentos oficiais a respeito da guerra:

A maquete me deixou boladaço, ainda tava digerindo aquela imagem quando mudamos andar no museu e chegamos a uma ala aonde são exibidos vários pertences de moradores que literalmente desapareceram da face da terra num piscar de olhos. Aí você olha pra uma cadeira com vestido e aperta o play pra ouvir o áudio que conta a história da mulher que um dia foi dona daquela roupa. Mais adiante é um pedaço de cabelo e play no audio. E por aí vai… Só que são trocentas histórias diferentes só ali no museu. Você começa a olhar pro seu lado e percebe que quase todos os visitantes soluçam ou limpam os olhos, porque é um horror tão grande que dá até um asco de pertencer a mesma espécie humana capaz de criar tamanho sofrimento. E é aí que cai a ficha de porque este museu é tão indispensável no mundo. A maneira como eles humanizam o sofrimento de Hiroshima toca fundo na alma e é impossível sair de lá sem concordar que o armamento nuclear deve ser banido de uma vez por todas da face da terra. E claro a paz mundial permanente é um objetivo a ser conquistado o quanto antes.


A-Bomb Dome

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A-bomb Dome, as ruínas que sobraram após a bomba.

 

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Saímos do museu ainda digerindo aquela porrada. Cruzamos o parque em direção ao A-bomb Dome que foi a única construção que sobrou de pé depois da bomba. O local é cercado e é proibido entrar, mas os japoneses dão um capricho nas ruínas mantendo os jardins aparados e uma iluminação noturna que valoriza os destroços que restaram do antigo prédio Hiroshima Prefectural Indutrial Promotion Hall.

Dá uma vontade danada de pular a cerca e visitar prédio por dentro, mas vontade é coisa que dá e passa né? Então nos afastamos em direção ao ponto do tram que levaria até a Hiroshima Station a tempo de pegar o shinkansen pra Kyoto.

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Lá vem o bonde

 

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Hora de dar tchau!

 

Escrito por Claudio Lemos