Lago Negro

Há tempos que escuto minha mulher falar que quer conhecer Gramado e Canela, mas acabávamos sempre protelando e indo visitar outro lugar, mas depois de muito adiar finalmente resolvemos mudar a prioridade dos destinos que queremos conhecer e lá fomos nós visitar as simpáticas cidadezinhas gaúchas.

Gramado é um destino fácil de chegar. A estrada, a partir de Porto Alegre, é bem sinalizada e demora pouco menos de 2h. Confesso que o que me dava preguiça era o fato de ter que combinar o voo até POA e na sequência alugar o carro para dirigir por 120km, mas isso tudo perde sentido uma vez que você chega lá.

Já devo ter mencionado aqui antes que estou sempre acompanhando o Melhores Destinos para descobrir as promoções de aéreo e numa dessa vi que a TAM estava com milhas promocionais para voos no Brasil. Não foi muito difícil convencer minha esposa a irmos (4000 milhas/trecho RJ x POA). Tínhamos duas datas possíveis: uma em agosto e outra em setembro. Batemos o martelo em agosto e compramos as passagens com milha. O próximo passo era buscar uma pousada. Entrei no hoteis.com e não havia nenhuma disponível no período! Como assim? Na booking.com apareciam apenas umas poucas opções. Na minha cabeça não fazia o menor sentido, a não ser que…Corri pro google e foi aí que descobrimos para a nossa (in)felicidade que estaríamos na cidade justamente no fim de semana do 40º Festival de Gramado. Particularmente, prefiro fugir das multidões e das romarias que nos eventos esporádicos e/ou feriados transformam cidadezinhas como Gramado/Paraty/Campos de Jordão/etc (enfim a lista é longa) num verdadeiro furdúncio. Dei mole em não fazer a pesquisa prévia e uma vez que o aéreo já estava garantido, a solução era encarar Gramado durante o festival mesmo. No fim das contas, a badalação do Festival não fez a menor diferença na minha visita a Gramado. Conseguimos fechar uma pousada  um pouco mais afastada do centrinho cujo valor não estava superfaturado por conta do festival.

A decoração é duvidosa, mas o quarto é bem confortável

Gramado é uma pequena joia. A arquitetura da cidade é toda bonitinha, pelo que entendi emula as cidadezinhas européias com chalés, casas sem muro e algumas áreas verdes. É bem sinalizada para quem anda por lá de carro e, o que mais me chamou atenção, sem semáforos (!). O fato de não haver sinais de trânsito é de uma civilidade impensável para quem, como eu, é carioca. O pedestre tem claramente a preferência e todos os carros param no momento em que ele põe o pé na faixa para atravessar. Fiquei tão encantado com isso que quase fui atropelado quando voltei pra casa, mas isso é outra história…

Além de ser uma cidade extremamente agradável, o fator gastronômico é sem sombra de dúvidas um ponto alto da visitação. No bom e no mal sentido, e começo explicando o último primeiro: é impressionante o desperdício de comida na cidade. Digo, culturalmente falando. O hábito e as porções são dignas para nenhum estadunidense botar defeito. E pra completar, os garçons parecem não gostar de ver as porções de acompanhamentos pela metade na mesa. Totalmente alheio a sua vontade e sem você perceber eles vão lá e trocam por uma nova (e farta) porção do acompanhamento em questão.

O Di Paolo é uma galeteria famosa no local e foi aonde fizemos nossa primeira refeição de Gramado. Confesso que a princípio não tava lá muito empolgado de comer galetos. Contudo, o que eu não sabia, o conceito da “galeteria” não é diferente de uma churrascaria rodízio. Há diversas opções de acompanhamentos liberados e que podem ser repetidos à vontade (e inclusive sem a sua vontade também, uma vez que os garçons nem esperam que você peça pela reposição). O resultado é que em questão de minutos já estava pra lá de satisfeito com a refeição. Mas fica a dica, o galeto é muito bom. Ele tem uma crosta toda temperada, sensacional! Ainda descubro como eles fazem isso…

Muitas horas depois da nossa primeira aventura gastronômica da cidade, já a noite, fomos conferir outro prato que faz muito sucesso com os comensais da cidade: o fondue. Os amigos indicaram e fomos lá desbravar o Maison de La Fondue. E como quem tá na chuva é pra se molhar, pedimos a opção completa que inclui os fondues de queijo, carne e chocolate. Bom se no almoço aprendemos que galeteria é igual churrascaria, o jantar veio nos ensinar que festival de fondue é igual a rodízio. E o mais assombroso é que cada fondue já vinha com uma quantidade grande de “dips” (qual é a melhor tradução para isso?). O de carne veio com nada menos que 12 (!) molhos. E ao menos o garçom foi atencioso para nos permitir negar a reposição da porção de carne quando viu que a nossa já se aproximava do fim. Sério, tome cuidado ou vai voltar rolando para casa!

No próximo post segue a galeria gastronômica da viagem.

Escrito por Claudio Lemos