da janela

A recepção na janela: a Baía dos Porcos

Fernando de Noronha sempre um foi um destino da nossa bucket list, desde quando começamos a namorar lá pelos idos de 2005 mas acabávamos sempre esbarrando na questão orçamentária/custo-benefício. Porque falando economês claro, do dia-a-dia, uma viagem a Noronha custa o mesmo que uma viagem a Europa, e com isso íamos postergando essa viagem. Aliás se for pra ficar contando moedas é melhor nem pensar em por os pés em Noronha. O preços lá são no mínimo o dobro do que custaria no continente já que tudo precisa chegar de barco até lá. Enfim, prepare a carteira e seja feliz! Até porque Noronha tem um potencial quase mágico, curandeiro. Talvez seja o fato de estar cercado quase o tempo todo por uma natureza em estado (semi)selvagem, aquilo vai dando uma sensação de bem-estar… É um remédio pra alma mesmo!

IMG_5235

Já havia falado aqui antes que estamos aproveitando as milhas da Azul pra conhecer vários destinos no Brasil como Jalapão, Pirenópolis, Mamirauá, etc. Fiz uma simulação e encontrei por inacreditáveis 16mil milhas (ida e volta) do Rio a Noronha e aí com esse empurrãozinho finalmente chegaria nossa hora de conhecer a ilha.

A Claudia encontrou uma pousada excelente pra gente ficar hospedado na Vila Floresta Nova, chamada Ilha do Frade. Ficamos num quarto que tinha um deckzinho de madeira mega-simpático com uma vista pra ilha que dá nome a pousada. O quarto é espaçoso e possui uma cama top de linha! São apenas 3 quartos então o tratamento dado aos hóspedes é super atencioso. A dona Cecília toda manhã prepara um café da manhã dos campeões com tapiocas (feitas na hora), bolos, frutas, queijo coalho, pão de queijo…deu até fome só de lembrar.  Quando voltarmos, a gente fica lá sem pestanejar. Já viu que amamos Noronha, né?

pousada

A pousada Ilha do Frade

deck

Deck de madeira

DSC09014

DSC09012

DSC09018

DSC09016

DSC09009

DSC09008

ilhafrade

A Ilha do Frade ao fundo

fradepousada

D. Cecília (esq) e a Patrícia (dir), mãe e filha que tocam a pousada.

Estivemos lá em agosto que é um mês excelente pra conhecer a ilha. Se der sorte (que nós não tivemos) dá até pra avistar baleias retardatárias que costumam passar pela ilha por volta de julho. As águas estão calmas e a visilibidade é muito boa. Dizem os moradores que em de meados de setembro até meados de outubro fica ainda melhor, pois venta menos, aumentando a visibilidade debaixo d’água até os sobrenaturais 50m de distância. Simplesmente surreal!

porto

Porto de Santo Antônio

Andar por Noronha é muito fácil, pois a ilha é pequena e pros aventureiros dá até pra percorrer a pé. Só existe uma estrada asfaltada por lá que é a BR-363 com 7km de extensão ligando o Porto de Santo Antonio até o Sueste. Ao longo desta estrada, que você vai passar várias vezes na sua estadia em Noronha, estão:

  • o aeroporto
  • o projeto Tamar: aonde ocorrem palestras gratuitas e muito informativas todas as noites as 20h
  • o ICMBio (parada obrigatória para buscar a autorização para a praia do Atalaia)
  • o acesso as praias mais famosas da ilha como Sancho, Baía dos Porcos, Cacimba do Padre e Sueste.
tamar

Sede do Tamar

Existe uma linha circular de ônibus que percorre a rota Sueste-Porto (e vice-versa), inclusive parando no aeroporto. O ônibus costuma ficar vazio e a passagem custa R$3, mas o intervalo entre cada ônibus é algo entre 30min, pelo menos. Para quem está com pouca mala e hospedado próximo a BR, é uma pechincha de transfer. Mas não recomendo se você estiver carregado e distante da estrada, pois todas as outras ruazinhas por lá são de terra e esburacadas. Os táxis são todos tabelados (a menor corrida era R$15 e a maior R$25). Justamente por isso muita gente acaba alugando buggy (R$150/dia) ou moto (R$80/dia) para rodar pela ilha. Só lembrando que a gasolina também é inflacionada por lá, saindo a R$5/litro. Todos estes preços são de agosto/2014.

buggy

O buggy que alugamos por 2 dias

O buggy é um assunto polêmico. É um carro esporrento, com um volante duríssimo, bebe gasolina pra caramba e é inseguro. “É o único carro que capota em linha reta”, como lembrou o biológo na palestra sobre os tubarões no projeto Tamar. O potencial perigo dos buggys em Noronha é muito, mas muito maior do que qualquer tubarão nadando no Sueste.  A Claudia queria o buggy pela mobilidade que ele proporciona, mas concordava que era um custo substancial. Eu confesso que não tava muuuito pilhado pra alugar o buggy não. Como teríamos seis dias inteiros, sabia que daria para fazer tudo com calma. Sem embarcar na furada do ilha-tour. Poderíamos andar, pegar ônibus para as praias mais afastadas ou ainda ir de carona. Carona? Sim, é super-comum os turistas oferecerem e pedirem carona nos buggys que rodam pra cima e pra baixo. No fim das contas, alugamos o buggy por 2 dias e para jogar o karma bom pra frente, claro, demos carona pra outros turistas :)

Para quem se garante dirigindo moto, a alternativa pode ser financeiramente mais interessante. Eu tive receio pois invariavelmente teria enfrentar sobe e desce em estradas de terra esburacadas e cheias de pedra. É realmente para quem tem alguma prática no motocross…Sabe como é né? Moto foi feita pra cair…

Escrito por Claudio Lemos