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Chegando em Tefé

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá foi criada 1999 pelo biológo José Marcio Ayres (1954-2003) que se especializou em primatas e ficou encantado quando ainda jovem teve conhecimento sobre o macaco uacari branco que é endêmico dali. Atuando na região desde o início dos anos 80, ele enxergou que a única maneira de preservar aquela região, que vinha sofrendo com a pesca predatória que já estava alterando drasticamento o ecossistema local, seria tornar os ribeirinhos que moravam ali em agentes empenhados na sua conservação. Lentamente ao longo dos anos foi engajando e envolvendo a comunidade ribeirinha, capacitando e educando os ribeirinhos. Uma bola dentro do projeto foi em paralelo criar uma pousada de base comunitária que utilizasse a mão-de-obra local para receber os turistas dentro da área de conservação.

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Só para chegar a pousada é preciso primeiro chegar até Tefé, uma cidade daquelas que nunca havia imaginado visitar. Logo na chegada em Tefé, o staff da reserva nos aguardava para nos levar até o barco que fica num cais próximo ao aeroporto. Tefé é uma cidade pequena com 60mil habitantes e um tráfego caótico de motocicletas pelo caminho. O impacto quando voltamos da reserva foi gritante.

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O desembarque em Tefé

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Esteira de bagagem ainda é manual por aqui

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O staff da pousada já nos aguardava

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A versão do tuk-tuk das ruas de Tefé

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O cais aonde embarcaríamos pra pousada Uacari

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Já devidamente embarcados e com coletes de segurança

Mas na ida era tudo festa e o próprio trajeto de barco subindo o Rio Solimões até o encontro dele com o Rio Japurá na Boca do Mamirauá já era um super passeio. A Pousada Uacari está localizada a 34km de Tefé e o trajeto dura cerca de 1h na época de cheia. Já na seca, o trajeto é um pouco mais lento, chegando a 1h30.

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A distância segundo google maps

O percurso mais rápido na cheia foi explicado para gente pelos guias que disseram ser bem mais fácil achar o caminho quando há mais água. Pra gente que vive em cidade e está acostumado com estradas e trilhos de trem, é extremante confuso entender como as comunidades ribeirinhas conseguem se localizar na região, mas eles o fazem com a maior maestria.

A pousada foi criada em 1998 e está localizada numa curva em meio ao Rio Japurá no coração da Amazônia, na região do médio Solimões. Lá todo o staff, exceto o guia-biológo-naturalista, é local. Mas a idéia é que no futuro toda a gestão seja feita exclusivamente pelos ribeirinhos.

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A pousada flutuante Uacari (foto: Marcelo Omena)

Atualmente a pousada possui cinco bangalôs flutuantes, divididos em dois quartos com banheiro e varanda com direito a rede. Os quartos são rústicos (não vá pensando em luxo porque não vai encontrar), porém espaçosos, acomodando fácil fácil 3 camas de solteiro. Só vi camas de solteiro na pousada, todas com um mosquiteiro pendente do teto para evitar a mosquitada na hora de dormi. O colchão era bem bom, confortável e dormi tranquilo nas minhas noites por lá. A ducha do banheiro era sensacional, daquelas que a pressão parece água de cachoeira, saca? Maravilha.


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Os mosquiteiros pendentes em cima da cama.

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Todo quarto tem uma varandinha com duas redes de frente pro rio.

Existem três tipos de pacotes possíveis: 3, 4 ou 7 noites. Sendo que o de 3 noites tem início na sexta-feira, o de 4 noites inicia-se na segunda-feira e para quem fica 7 noites pode começar tanto na segunda quanto na sexta. Por tudo que havia lido (e pela lonjura que é), acredito que a viagem mais redondinha para lá é o pacote de 4 noites. Só que para isso teríamos que perder uma semana inteira de trabalho e não tínhamos esta opção, então acabamos pegando a alternativa do finde prolongado (sexta a segunda). E realmente saímos de lá com a sensação de que o ideal seria ter tido uma noite mais, principalmente pelo cansaço que dá em passar o dia viajando de casa a pousada e vice-versa.

Tivemos muita sorte com o clima durante a nossa estadia e não pegamos nem um momento de chuva (que me causou surpresa!), só períodos nublados com o sol aparecendo ocasionalmente trazendo um calor cabuloso na mufa. Logo ao chegarmos na pousada encontramos o Danilo, que é o tal professor de inglês custeado pelo crowdfunding da Garupa. Ele havia chegado a poucos dias na reserva e ainda estava se ambientando para o início das aulas. Aguardava nosso barco para pegar carona e sair de lá.

Depois do rápido oi-tchau pro Danilo, fomos saber que programação do dia de chegada que originalmente previa um descanso para descompressão, para então passar ao salão principal para que todos se apresentassem, precisou ser encurtada por causa do atraso de uma hora do nosso voo de chegada. Não teríamos pausa pra descansar, preenchemos as fichas de hospedagem, largamos as malas no quarto e todos se reuniram no salão para começar o briefing.

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O quadro de programação da pousada

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Mal tivemos tempo para deixar as malas…

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…e bora entrar no barco para passear.

Nosso grupo era de 15 pessoas: 1 casal francês, 1 casal alemão, 1 casal sueco, 1 casal italiano, 1 senhor inglês e a nossa galera carioca. O povo da pousada estava surpreso, foi provalmente o maior grupo brasileiro que eles já receberam de turistas espontâneos. E ficaram todos super colegos com a gente. Passada as apresentações saímos em dois barcos para fazer um curto passeio no rio. Não fomos muito longe, até porque o sol já estava se pondo e todos estavam mortos de fome doidos pra jantar. Esse negócio de passar um dia viajando a base de pacotinho de snacks é dose!

Os jantares (e almoços) incluiam arroz, feijão, salada, um prato de peixe (sempre fresquinho: tivemos tucunaré, surubim e tambaqui, delícia) e um de frango, além de uma sobremesa e suco de frutas. Fiquei fãzaço do suco de araçaboi, fruta que nunca havia ouvido falar até então :)

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O salão principal aonde são servidas as refeições.

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Sempre tem um peixinho fresco

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O tambaqui (a esquerda) e o surubim (a direita) que seriam servidos no próximo dia.

Escrito por Claudio Lemos