A estátua de JK no centro da cidade.

A estátua de JK no centro da cidade

O cidadão mais famoso de Diamantina deu adeus à cidade ao completar 18 anos e pelo que consta retornou poucas vezes às origens. Não era dado às cidades coloniais, parece. Vanguardista, sonhava mais alto. Queria uma cidade moderna, planejada, asfaltada e plana. O completo oposto da sua cidade natal. A pequena Diamantina não era páreo para a ambição de Juscelino Kubitschek. Azar dele, a cidade assim como o próprio nome indica, é uma pequena joia.

O fim da Estrada?

bb antigo

Há tempos que a Estrada Real fascina a gente. É uma rota linda, cheia de história e com várias cidades coloniais mega agradáveis pelo caminho. Quisera a gente ter tempo para rodar de carro do início ao fim…enquanto isso não acontece, vamos nos contentando em conhecê-la pouco a pouco.

Diamantina representa o final desta estrada que começou originalmente em Paraty e depois ganhou um novo ponto de partida, o Rio de Janeiro. De qualquer forma, o destino é o mesmo: a graciosa Diamantina.

Fundada em mil setecentos e bolinha, rapidamente ganhou fama pela descoberta de diamante, a pedra que hoje dá nome a cidade e fez a sua fama. Durante o ciclo dourado da mineração, Diamantina foi casa do homem mais rico do Brasil a sua época, o fidalgo contratador João Fernandes que por sua vez “casou” com a escrava mais famosa do Brasil Colônia: Chica da Silva. Até hoje é possível visitar a casa em que ela morou. A visitação é gratuita e mais imaginativa que informativa, pois o que mais se vê são cômodos vazios. Ainda assim, é uma casa bonita.

Como chegar?

Pela estrada real, partindo do Rio ou de Paraty, a viagem até Diamantina levava cerca de dois a três meses, onde as pessoas, malas, materiais, cargas, carregamentos de pedras preciosas, (enfim…tudo!) era transportado por mais de mil e seiscentos quilômetros no lombo dos bravos cavalos que sobreviviam ao trajeto. E hoje, depois de ter passado por alguns desses trechos, consigo imaginar como era estreita, íngreme e “trepidativa” essa estrada para Diamantina e penso: coitados desses cavalos! Mas isto era antes…hoje é beeem mais simples. O google maps te leva lá em cerca de 4 horas, a partir de Belo Horizonte. Saindo do aeroporto de Confins, dá pra economizar ainda uns 40 minutos nesse trajeto. A estrada é tranquila, bem sinalizada e pra quem quiser parar no caminho pra fazer uma boquinha, basta entrar em Curvelo que fica no meio do caminho. Na boa, foi a melhor coisa que fizemos. #ficaadica

Onde se Hospedar

Talvez o hotel mais famoso da cidade seja o Hotel Tijuco, projetado pelo Niemeyer a pedido de Juscelino. De fora já é bem fácil perceber o traço marcante do arquiteto. Mas felizmente não nos hospedamos lá. É um hotel datado, ou seja, velho mesmo. Até entramos pra conhecer; tem uma fotos do Niemeyer e do JK. Vale a visita mas não a estadia. 😉

 

Lendo os reviews na internet dava pra perceber que seria uma furada então…a Claudia encontrou a sensacional Pousada Relíquias do Tempo.

A pousada é disparada a melhor opção por lá. A localização é central, próxima à zona boêmia/turística da cidade. É um casarão colonial lindíssimo e super bem conservado. Os quartos são confortáveis, tem piscina, sauna e um café da manhã pra mineiro nenhum botar defeito. E além disso a pousada conta com três museus próprios! Um museu dedicado a JK, um outro sobre Manifestações Folclóricas e Religiosas, e por último o museu Daniel Luz do Nascimento, focado no trabalho de extração de ouro e diamante, explicando minuciosamente todo o processo desde a abertura do veio (faixa que constitui uma camada mineral explorável), passando pelos ofícios dos diamantários e lapidários. Muito legal mesmo!

 

Atrações de Diamantina

O grande chamariz de Diamantina são as vesperatas, uma espécie de serenata ao ar livre no principal largo do centro histórico onde estão concentrados os bares e restaurantes. Entre abril e outubro, dois (as vezes três) sábados por mês, a população e os turistas se juntam no largo da Rua da Quitanda pra apreciar o espetáculo. Nós estivemos por lá em novembro, portanto só dá pra especular sobre o assunto. A julgar pelo material que encontramos na web, parece ser bem joinha. Dá só uma olhada abaixo:

O centro histórico de Diamantina não é muito extenso. Mais ou menos como Ouro Preto. Dá pra caminhar tudo a pé numa boa. Quer dizer, é preciso um preparo físico porque a cidade é uma pirambeira só. Haja perna pra encarar as ladeiras! Hehehe. Como era de se esperar, há várias igrejinhas antigas no centro, porém seus interiores não são (tão) ricos como as igrejas de Tiradentes e Ouro Preto.

O Museu JK é 0 mais famoso da cidade. Localizado na antiga casa onde o ex-presidente viveu dos 5 aos 18 anos, conta com alguma memorabilia, painéis informativos, fotografias e linhas do tempo sobre a vida de Juscelino. A entrada custa apenas R$5 (nov/2015).

Outros pontos de interesse para se visitar são a Casa Chica da Silva, na Praça Lobo de Mesquita 266, cuja entrada é gratuita, o Passadiço da Glória, um casarão histórico lindo que hoje abriga parte do curso de geologia da UFMG, o Mercado Municipal que funciona aos sábados de manhã até a hora do almoço, e claro, a estátua de JK, na junção das ruas Macau de Cima, Macau do Meio e Macau de baixo.

A noite, os bares e restaurantes da Rua da Quitanda são ótimas opções pra curtir a boemia na cidade. No entando, o restaurante mais gostoso que comemos por lá fica a algumas ruas pra baixo. Chama-se Al Árabe. Vale a pena provar o delicioso kibe de abóbora deles. Muito bom! #ficaadica2

Um rolé pelos arredores

Quando cansar de maltratar as pernas subir e descer pelas ruas da cidade, vale a pena pegar o carro e ir até o mirante do Cruzeiro da Serra para dar uma olhada panorâmica na cidade. Pertinho dali, fica também o caminho dos escravos. Uma passagem “asfaltada”, por assim dizer, pelos escravos, para facilitar o acesso das tropas e de seus carregamentos de pedras preciosas na região.

A cerca de 13km de Diamantina, fica a ex-vila operária de Biribiri, que tem cara de fazendinha simpática. É possível até se hospedar nela, aproveitando o riacho que passa ao lado da propriedade para tomar banho. Contudo, mais legal que a vila é o caminho até lá que conta com duas boas cachoeiras (Cristais e da Sentinela) e ainda é possível avistar uma enorme quantidade de pinturas rupestres. Pena só é ver que existe tão pouco investimento voltado para a preservação delas…dá até tristeza pensar nisso. Resumindo, vale incluir Diamantina num roteirinho mineiro, sem dúvida.

Highlights: as cachoeiras cristalinas e revigorantes, o centrinho e toda a parte histórica, Vila de Biribiri e sobretudo, o climinha de cidade pequena (e histórica!) que a gente tanto valoriza nos dias de hoje! Ótimo pra relaxar a mente e viver outra atmosfera! Só não vá esperando encontrar diamante heim! Rsrs

 

Escrito por Claudio Lemos