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O passeio de canoinha pela floresta vale a viagem por si só (foto: Marcelo Omena)

Na maior parte das vezes, saíamos da pousada Uacari utilizando o barco a motor que anda rápido, porém sempre fazendo aquele esporro característico de motor de lancha que acabava dificultando o processo de ouvir a floresta, com todos seus cantos de pássaros e guinchos de macacos. Claro os passeios de barco a motor, incluiam paradas e desacelerações que davam espaço a cantoria da natureza, mas era por pouco tempo e logo o motor era religado abafando aquela sinfonia incrível.

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Sem trânsito, nem buzinas…só os sons da natureza (foto: Marcelo Omena)

Com certeza um dos melhores benefícios de passar uns dias na Uacari é o isolamento do mundo (se bem que a pousada tem wi-fi…), curtindo a falta de sinal de celular, a ausência de televisões, sinais de trânsito, buzinas e luz elétrica corrente (a pousada tem painéis solares para que os eletrônicos possam ser recarregados e a luz acesa por parte do dia). A trilha sonora é a natureza que faz muito mais barulho do que você pode imaginar. Do nada, surge um splash de um jacaré-caçando ou um boto pulando na água. Os macacos guariba que desde cedo começam a gritar produzindo um eco eterno na floresta. Insetos para lá e para cá. È uma sinfonia sem fim.
Como na cheia não havia trilhas para andarmos na floresta, o único jeito de entrar nela era com as canoinhas a remo que sem sombra de dúvida foi o passeio mais especial da viagem.

A canoinha comporta apenas três pessoas, o guia-naturalista e dois visitantes. Eu e a Claudia fomos guiados pelo Izael, 33 anos e pai de três filhas, que veio de uma comunidade indigena (e é só olhar pro rosto dele para perceber a ascendência) e possui várias tatuagens tribais. Ele largou sua tribo para trás para vir se casar com sua esposa que mora em Mamirauá. O fato do guia ser nativo é um diferencial fundamental no projeto da Pousada Uacari. Você percebe pela fala deles que o conhecimento não é fruto de um estudo aprofundado no assunto, mas sim uma profunda vivência daquele universo. A floresta amazônica sempre foi a casa deles e com a maior naturalidade do mundo eles vão lhe apontando pelo caminho as diversas espécies de árvores, plantas, frutos e animais que por ali vivem, bem como as histórias tensas sobre a presença do narcotráfico colombiano na floresta.

floresta alagada

E lá vai o Izael remando nas entranhas da floresta

remedio natural

De vez em quando parava próximo a uma árvore para nos mostrar que remédios podem ser feitos com ela

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O Izael conseguia distinguir os sons dos animais que a gente nem havia sequer ouvido, e com uma destreza absurda navegava a canoa atrás daquele som em meio a mata e nos indicava um galho aonde estava passando um grupo de macacos de cheiro de cara preta. Em outro momento, estacionava próximo a um tronco de árvore para nos contar sobre o remédio natural que podia ser obtido atráves do chá de um planta.

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Ah lá o macaco de cheiro de cara preta! (foto: Marcelo Omena)

 

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Close nele! (foto: Marcelo Omena)

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E o macaco guariba só de olho na gente (foto: Marcelo Omena)

Se não fosse a habilidade dele teríamos voltado para casa sem ver o macaco uacari branco que dá nome a pousada. Por cerca de uns 20 minutos ficamos perseguindo – quer dizer, o Izael perseguia e nós iamos na carona – um barulho que segundo o Izael era de um macaco que ficou desgarrado do grupo e tentava se comunicar para achar seu bando. Para gente que escuta assim essa história parece até causo de pescador, mas ele sabia o que estava falando e realmente conseguimos avistar o tal uacari perdido, sozinho, pulando no galhos das copas das árvores. Sinistro!

Macaco uacari branco (foto: Marcelo Omena)

Macaco uacari branco (foto: Marcelo Omena)

E por assim seguimos durante quase três horas naquela embarcação, completamente silenciosa, imersos dentro a floresta alagada. Fantástico! É um passeio que por si só, já vale a viagem.

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(foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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Sumaúma (foto: Marcelo Omena)

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Sumaúma (foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

Escrito por Claudio Lemos