wine tasting

Para chegar ao salão de degustação era preciso passar por um armazém amplo que contava com poucos objetos de decoração. Saindo pela porta oposta a da entrada chegamos em um pequeno passadiço de madeira que desemboca  em uma casa de vidro linda. Lá dentro fomos recepcionados por Steven, um negro alto, simpático e sorridente – apenas um dos milhares que vão cruzar seu caminho na África do Sul. Ele nos conduziu a uma mesa encostada na parede, também de vidro, que dava vista linda da propriedade de Babylonstoren, a nossa primeira parada do tour de vinícolas pela região de Stellenbosch. Olhei para o relógio que marcava onze da manhã quando Steven serviu a nossa primeira taça de vinho do dia.

Babylonstoren Wine Tasting

Vai começar a brincadeira…

Separamos um dia da nossa viagem pra dar um rolé pela região dos vinhedos nos arredores da Cidade do Cabo. A princípio alugaríamos um carro e cheguei até a tirar a habilitação internacional, mas a prudência falou mais alto. Não dá pra beber e dirigir né? Ainda mais que o trânsito na África do Sul adota a mão inglesa. A opção então seria fechar um tour para ir até lá. Quer saber com quem fechamos e aonde fomos? Continue lendo abaixo.

COMO ENCONTRAR SEU TOUR DE VINHOS EM STELLENBOSCH

Vinhos em Stellenbosch

Há várias agências que vendem diversos tours para a região, pra todos os tipos de viajante. Você vai encontrar tour focado nas degustações, visita às adegas, outros com almoços e picnics, bike tour, etc.

A duração do tour pode ser desde meio dia até cinco dias por lá, e garanto que você não terá visto todas as vinícolas. São mais de 100! Como não queríamos entrar numa excursão cheia de horários a cumprir, buscamos um tour privativo de carro que pudéssemos customizar nosso dia pela região.

Achei no blog da Mari Campos a indicação da Wow Cape Town Tours, que também estava super bem avaliado no Trip Advisor. Rushdi, dono da agência, foi super atencioso, embora não tenha sido nosso guia para o passeio. Quem ficou incumbida do serviço foi a foférrima Althea (ela é demais! Que pessoa simpática!). Fechamos o tour de um dia inteiro por 3500 rands (USD250) que não inclui bebidas, nem almoço.

Com uma ajudinha dos amigos e de blogs de viagem, fechamos nosso roteiro que passaria por quatro vinícolas: Babylonstoren, Vred en Lust, Spier (que acabamos trocando no meio do tour pela Niel Joubert) e Boschendal ao longo do dia, com direito ainda a uma parada para almoço no La Motte ou no Reuben’s e uma passadinha pelo centrinho de Stellenbosch.

Foi uma programação etílica intensa que acabou dando certo, mas pros amigos recomendo um dia com 3 vinícolas (duas na manhã e uma a tarde) com uma boa pausa pra um almoço relaxado. #ficaadica

Colegando com a Althea antes de começar a degustação.

Colegando com a Althea antes de começar a degustação.

A região de Stellenbosch (e a vizinha Franshoek) fica a cerca de cinquenta minutos de distância do centro da Cidade do Cabo. Comparando aqui com o Rio de Janeiro, seria mais ou menos como ir da zona sul até Barra de Guaratiba, pelo menos é a sensação que dá. A viagem é muito rápida e tranquila.

PRIMEIRA PARADA: BABYLONSTOREN

A Althea saiu da estrada e passou pelo pórtico de entrada da Babylonstoren onde nos foi solicitado um pagamento de 20 rands/pessoa, a título de visitação dos jardins da propriedade.

Babylonstoren é um daqueles lugares saído dos sonhos, sabe? A Claudia ficou completamente encantada, segundo ela o lugar é uma fazenda-conceito. Tudo é bonitinho, arrumadinho e decorado na medida ideal.  Olha só a conta de instagram deles

Demos uma rápida volta no jardim que é lindão. E encontramos ainda duas lojinhas incríveis: a primeira é uma espécie de mercearia que une num mesmo lugar padaria, charcutaria e queijaria. Os produtos são todos feitos na própria fazenda e, claro, são deliciosos. Eles também vendem louças próprias, toalhas de mesa e outros souvenires. Aliás, não chamaria de propriamente “souvenires”, porque nada ali tem uma cara ou apelo comercial e sim artesanal, rústico, trazendo todo aquele conforto do que é “de casa”, no estilo lar doce lar.

A casa principal da propriedade aonde ficam as lojinhas

A casa principal da propriedade aonde ficam as lojinhas

Parte do jardin interno da fazenda

Parte do jardim interno da fazenda

O cheiro das lavandas é demais. Na fazenda são produzidos diversos produtos com elas.

O cheiro das lavandas é demais. Na fazenda são produzidos diversos produtos com elas.

A decoração interna da charcutaria é linda demais...

A decoração interna da charcutaria é linda demais…

e ainda tem uma queijaria anexa....

e ainda tem uma queijaria anexa….

Como evitar a gordice?

Como evitar a gordice?

E essas lojinhas fofas?

E essas lojinhas fofas…

Como lidar?

Como lidar?

A segunda lojinha, logo ao lado, tem uma pegada rústico-chique e é dedicada a cosméticos e perfumarias. Vendem cremes hidratantes, loções corporais, sabonetes e sais de banho. O cheiro da loja apaixona de cara. É sensacional e mega-convidativo.

Quando você pensa que acabou, descobre ainda a loja de cosméticos...

Quando você pensa que acabou, descobre ainda a loja de cosméticos…

sais de banho, sabonetes, loções e etc

sais de banho, sabonetes, loções e etc

Com alguma dificuldade e com a carteira um pouco mais leve, deixamos as duas lojinhas e finalmente fomos em direção ao salão de degustação. Lá o Steven nos serviu as cinco taças do pacote de degustação que custou 25 rands por pessoa (USD 1,75). Como já estávamos com alguma fome, pedimos ainda uma entradinha que dava direito a 2 taças de vinho. Olha só:

Sério: olha essa entradinha!

Sério: olha essa entradinha! Patê de fígado de avestruz, biltongs, dröewors, boerenkaas, blue cheese, terrine de biltong e salada de tomate baby marinada.

É gostoso até de olhar pra isso.

Dá gosto só de olhar pra isso.

Sinceramente, se couber no seu orçamento acho que vale até avaliar a estadia lá por uma noite na sua viagem.

PRÓXIMA PARADA: VRED EN LUST

Vred en Lust tasting

Ainda completamente apaixonados pela Babylonstoren, entramos no carro e menos de 10 minutos depois, a Althea fez a segunda parada do dia na Vred en Lust. Embora não tenha a mesma opulência da fazenda anterior, a degustação da Vred foi sensacional.  Pra gente, só a descoberta desse Mocholate Malbec já valeu a visita – trouxemos duas garrafas pra casa que já não existem mais pra contar estória…

A degustação foi rápidinha e custou 25 rands por pessoa incluindo 7 vinhos diferentes.

DESVIO PARA NIEL JOUBERT

O pórtico de entrada da Niel Joubert

O pórtico de entrada da Niel Joubert

Aproveitando o wi-fi na Vred en Lust, trocamos umas figurinhas pelo whatsapp e recebemos a indicação de uma grande amiga (que é do business de vinhos no Brasil) pra visitar a Niel Joubert, que pra nossa sorte ficava a 8 minutos dali, segundo o google maps.

Acabamos então mudando nosso itinerário e seguimos pra lá.

E mais um tasting pra conta...

E bota mais um tasting pra conta…

barrica Niel Joubert

A Niel Joubert é uma das poucas vinícolas da região que vendem vinhos pro Brasil. Então, com alguma sorte, é capaz de você encontrar um rótulo deles numa adega ou mercado próximo. Como eles são pequenos produtores (cerca de 100mil garrafas/ano), a estrutura é bem familiar – lembrou bastante a visita que fizemos na Barcarola e Lídio Carraro aqui em Bento – e os tours precisam de agendamento prévio. Pra nossa sorte a Althea, nossa guia maravilhosa, desenrolou ali mesmo na hora e conseguimos visitar e fazer um tasting (degustação) dos vinhos completamente grátis!

Cellar Niel Joubert

Os barris de fermentação da Niel Joubert ao lado do balcão de tasting

PAUSA PARA O CAFEZINHO NA LA MOTTE

Bom…17 taças de vinho depois, a gente nem tinha mais fome pra almoçar, mas a ideia de uma sobremesa e um cafezinho pra intervalar antes da última vinícola do dia era irresistível.

Como o Reuben’s, tido como um dos melhores da região, estava temporariamente fechado, rumamos então para o restaurante Pierneef à La Motte, que para a nossa surpresa ficava dentro da vinícola La Motte. Lá também havia lojinhas e um hotel pra quem quisesse se hospedar. Pareceu bem “bacanudo”, embora um grau abaixo no quesito charme em relação ao Babylonstoren.

O restaurante era meio chique daqueles com maitrês uniformizados e tal. Pedimos duas sobremesas: uma cheesecake de limão e manga e um mousse de chocolate que vieram complemente desconstruídos.

O interior do Pierneef a La Motte

O interior do Pierneef a La Motte

mousse

Vai gordinho I: a mousse de chocolate

desert at La motte

Vai gordinho II: cheesecake de manga e limão

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Com a glicose restabelecida, pedimos ainda um cafézinho saideiro. E demos uma rápida olhada na área de tasting da vinícola. Se não fosse o fator tempo, até teríamos feito uma degustação ali mas estávamos muito curiosos pra visitar a última vinícola do dia: a Boschendal.

ÚLTIMA PARADA: BOSCHENDAL

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A entrada da Boschendal: a última vinícola do dia.

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cpt 01 (15)

Uns amigos nossos tinham feito uma excelente propaganda da fazenda mais-que-centenária Boschendal, fundada em 1685. Eles organizam picnics ao ar livre nos gramados, dá pra curtir em alto estilo o dolce far niente da vida. Você pode hospedar-se na fazenda, alugar bike ou ainda curtir um spa. É amigo…eles não brincam em serviço não.

Ficamos super interessados no programão, porém fuéenn – ele não acontece durante o inverno. Coube então à gente contentar-se mesmo com a degustação indoor que ocorre diariamente das 10h às 16h30. Pior é que chegamos cinco minutos depois do horário mas a sagaz Althea desenrolou pra gente conseguir o tasting saidero que custa 40 rands e dá direito a cinco vinhos. Provamos as últimas taças do dia e, de quebra, o garçom ainda nos ofereceu uma provinha do brandy fantástico deles!

Felizão e de olho no vinho.

Felizão e de olho no vinho.

Saímos de lá com um gostinho de quero mais…Parece que teremos que voltar no verão pra conferir esse picnic né?

A área externa reservada para os picnics no verão. Deve ser incrível...

A área externa reservada para os picnics no verão. Deve ser incrível…

Resumo da ópera etílica: se beber não dirija! Foram mais de 15 taças de vinho então faça um favor a si mesmo: vá de motorista ou tour/excursão. Se couber no seu orçamento, a gente super indica a Althea – ela é demais. A região dos vinhedos é mega charmosa. Pra quem curte vinho, vale a pena considerar ficar uma ou duas noites na região pra conhecer mais dos pinotages, Chennin Blancs e dos MCC (Method Cap Classique, o espumante sul-africano).

Escrito por Claudio Lemos