Voo saculejativo não deixa o sono chegar, ainda mais pra mim que já tenho dificuldade pra dormir em voos. O avião não é tão maneiro quanto a propaganda que Bebê fez. Não tem telas individuais nem joguinhos. No único canal da tv, o filme que estava passando era “O assalto do metro 123 pelham”, que não vale a pena ver assistido uma vez, que dirá duas? Mas por falta de opções, acabei revendo para passar o tempo. Ainda antes da decolagem, uma cena muita caricata ocorre. Por algum motivo higienico-sanitario os comissários de bordo passam pelos corredores espirrando um genérico de bom-ar, com direito inclusive a aviso nos alto-falantes para que alérgicos cobram as narinas. Bizarro! Agora, o serviço de bordo deles é caprichado no alcool: tem whisky, amarula, vinho e desconfio que até rolava champanhe. E pode pedir quantas vezes quiser

Metade do caminho
O aeroporto de Joburg é muito maneiro. Por ser novinho, me lembrou o terminal 5 do Heathrow, apesar de não ser tão hightech . É um aeroporto bacana, todo reformado, prontinho para receber as delegações na Copa de 2010. Super bem sinalizado e com cheiro de novo.De mala e cuia, nosso transfer nos leva direto para uma reunião com os fornecedores do stande que iremos montar. A empresa fica em um bairro que parece ser a direção aonde a cidade está crescendo, tem cara de bairro novo, cheio de construções recentes. Algo como pegar a Av das Américas e ir até o Recreio, só que em Joburg os predios possuem 3 andares se tanto, nestas novas aereas.

Saíamos da reunião e vamos para o hotel fazer check-in, ainda não tive tempo de me acostumar com a mão inglesa, é super estranho ver os motoristas dirigindo no lado do carona.

No caminho para Sandton, o bairro beverly hills aonde eu ficaria hospedado, passamos pela versão sul-africana do favela-bairro, com casas novas/populares todas arrumadinhas em ruas paralelas e com uma pintura simples, porém recente. Ou seja cara de favela, só que arrumada. Assim como já aconteceu no Rio e em diversos outros lugares, aonde remanejam a população mais pobre para bairros mais distantes, dando uma casa nova como compensação ou incentivo.

Chegando em Sandton, o tal bairro beverly hills daqui, já é possível ver como esta é a parte abastada da cidade. Tudo novinho, carrões nas ruas e pessoas endinheiradas arrumadas dirigindo.

O hotel que fico é ok. Tem um quarto honesto, impessoal mas muito funcional. A única merda é que a internet wi-fi não é liberada. Isso é uma palhaçada né? Cade o Bill Gates nessas horas para levantar a bandeira de fornecer hotspot em ambito mundial. Ficar sem internet é atualmente meu pior castigo na terra. Quase tive uma crise de pânico por conta disso.

O hotel é bem business. Só a web de graça é que não tá rolando…
Fomos almoçar no shopping em frente ao hotel, num restaurante meio fast-food chamado Nando’s. Comi um Chicken Steak com chucky mash potato totalmente spicy heavy-metal! Em seguida, tem a ida no escritorio da Franca, a agente de viagens, que fica no mesmo shopping numa torre, tipo rio sul. Falei da viagem que pretendia fazer em seguida para Cabo com ela que ficou de orçar o aéreo. Enquanto isso no Brasil, minha passagem de volta está sendo remarcada para poder fechar esta história de Cape Town. Descubro meio abruptamente que a Alexandra e Vitor vão pra um safari assim que acaba a reunião e me largam na cidade sem nada pra fazer ate a quinta feira depois do almoço, quando eles retornão.Antes, eles me dão o dinheiro de produção que vai ser pouco, veja adiante… Vou para o shopping e tento em vão achar um hotspot de web. Dou um pulinho mercado pra fazer mini-compras(agua, chocolate e uma ruffles-genérica marca SIMBA, isso mesmo o Rei Leão) e porque não um turismo? Vou te dizer é um barato ir ao mercado em outro país, voce perde (quase) totalmente a referencia de marcas, do que é bom e o que é ruim, e ainda há uma grande oferta de produtos que você nunca viu anteriormente.

Durante a tarde, vou e volto ao hotel várias vezes, mas o resumo da ópera é o seguinte: consegui comprar um chip pré-pago, agora já tenho numero de cel na Africa. Busco uma lan House e fico 30min por lá. Na volta pro hotel encontro um brasileiro usando um hotspot dentro do shopping que eu passei a tarde inteira procurando…bom antes tarde que nunca, vou ao hotel, pego o lap e volto para aproveitar a conexão. Ele é jogador de futebol na AS, acabou de se mudar de Cabo pra Jburg. Deixamos no ar uma cerva pro dia seguinte. Ele disse que o Parreira mora bem em cima do shopping e que volta e meia está por ali também.

De volta ao hotel, agendo um tour pelo Soweto pro dia seguinte, que afinal vai ser um dia livre. Janto na Mandela Square, aonde estão montando um campo de futebol sintético que faz parte da Soccerex. Gasto 100 rands num ravioli a bolonhesa, em tese esta era a grana que teria que durar um dia inteiro. Não falei que essa verba de produça não dava nem pra saída?

Escrito por Claudio Lemos