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Praia do Cachorro

-Vocês já conheceram o Cachorro? – me perguntou o curitibano na mesa ao lado.
-A gente estava lá mais cedo, na hora do almoço – respondi, crente que ele estava se referindo a praia. Só que ele não estava falando da praia, e sim de uma pessoa. Ou melhor de um cachorro. Quer dizer: é uma pessoa mas também é um cachorro…confuso, né?

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Cadeira e sombra, sem custo na praia do Cachorro

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Então vamos por partes, a Praia do Cachoro é uma das praias “urbanas” de Noronha. As praias “urbanas” (Cachorro, Meio e Conceição) são aquelas mais próximas a Vila dos Remédios, cujo acesso a pé é relativamente menos penoso que as orlas mais top da ilha (Sancho, Baía dos Porcos e Cacimba do Padre). As praias urbanas tem até quiosque! São duas vendinhas na praia do Cachorro. O Bar do Meio na praia do Meio, dã! E o Duda-Rei na Conceição que é excelente pro fim de tarde e foi justamente aonde o curitibano da mesa ao lado me fez a pergunta.

Havíamos passado o dia nas praias urbanas. Almoçamos na praia do cachorro, a única aonde vi uma casa na beira da areia. Justamente a casa do Cachorro, como viria descobrir mais tarde. A praia do cachorro é linda, e dá pra fazer altos mergulhos de snorkel no paredão de pedra do canto direita. As duas barracas oferecem cadeiras e mesas de plástico, sem custo extra pros turistas.

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Queijo coalho com mel :)

 

De lá decidimos andar até a praia do meio, um pouco mais a frente. Igualmente linda. Não paramos lá, pois decidimos ir pra Conceição que era a praia seguinte. E sentamos no Duda-Rei pra curtir uns bons drink.

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Praia do Meio

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Bar do Meio

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Praia da Conceição

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Um brinde!

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O casal da mesa ao lado puxou papo. Eram empresários de Curitiba. Cada um tinha seu pequeno negócio. E logo ele emendou a pergunta:
– Vocês já conheceram o Cachorro? Ele está com aquele casal ali da mesa ao lado.

Como ele mesmo veio me contar, o Cachorro, ou melhor o auto-intitulado Cachorrão, era uma figuraça de Noronha que presta serviço de guia bugueiro na ilha e já havia sido entrevistado por jornais e matérias de tv. Cachorrão, era Manuel, era um servidor público que foi enviado para trabalhar na ilha, mas ao chegar ele olhou praquilo tudo e simplesmente decidiu não voltar mais! Abandonou o serviço público e há quase trinta anos mora na ilha, justamente naquela casa da praia do Cachorro. Num carnaval do final da década de 80, ele enchou os cornos e amarrou uma coleira no pescoço e desde então assumiu pra si a identidade de Cachorrão. Pintou os cabelos de vermelho, fez um moicano e aborda as pessoas dizendo “au-au”. É sério! Juro!

Dá uma olhada na figura!

 

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O Cachorrão estava de cicerone de um casal de Cuiabá que para nossa surpresa, além de casados eram sócios numa empresa de…eventos! Sabe aqueles eventos que te faz pensar em realidades paralelas? Tá, ok eles não se chamavam Claudio e Claudia, mas foi bem caricato conhecer um casal que como nós, além das escovas de dentes, dividem a sociedade de uma empresa que atua no mesmo segmento que nós. Acabamos fazendo amizade com este casal pois coincidemente fomos parar na mesma mesa no Festival do Zé Maria daquela noite e no dia seguinte estaríamos junto no passeio de barco+plana-sub.

O Festival do Zé Maria é super tradicional na ilha. Acontece toda quarta e sábado a noite na pousada do Zé Maria que é pousada número 1 entre os globais e wannabes que vão pra Noronha (fui me dar conta disso lá). O que sabia de antemão era que as noites de festivais são concorridas e por isso reservamos com quase um mês de antecedência nossa participação. O esquema é buffet liberado, e as mesas são compartilhadas. A hostess lhe indica na chegada o lugar que lhe foi designado. Por sorte nossa, paramos na mesma mesa do casal de Cuiabá que haviamos mais cedo na praia. Em determinado momento, todos os comensais são convidados a “arrodear” a mesa do buffet aonde normalmente o Zé Maria (no nosso dia quem fez as honras foi o Tuca, filho dele) juntamente aos cozinheiros faz a apresentação dos pratos. Tem peixe, muqueca, ceviche, japônes, bacalhau, risotto, porco, paella, etc e tal. É comida que não acaba mais. E a cozinha não para de repor as travessas. Mas pra ser bem sincero, não curti o esquema não. Achei meio resortão e bem fanfarrão. Embora eles houvesse apresentado as comidas, não havia placas de identificação e claro que você acaba esquecendo o nome dos pratos, porquê são muitos…E ainda tem aquela disputa inicial pra se servir pois a mesa embora grande não tem como comportar os 130 ou 140 pax do restaurante de uma vez.

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A pousada Zé Maria, super tradicional na ilha

No fim contas a comida era ok, mas nada assim sabe incrííííível…Algo que você acaba criando uma expectativa alta, mas não é correspondida. Talvez valha mais a pena conhecer o restaurante num dia fora do festival para comer a la carte mesmo…O casal de Cuiabá também concordou com a gente. Dos restaurantes que fomos na ilha, o que mais gostamos foi o Beijupirá (que já conhecíamos de Olinda). Além dele, o Restaurante Varanda e o Pico também são boas opções pro jantar.

Escrito por Claudio Lemos