Antes de chegar a Santiago, tinhamos recém acabado de fazer uma viagem para Bento Gonçalves, que superou completamente as expectativas diga-se de passagem, estava curtindo um momento “vinhos” na vida. Uma vez no Chile então queríamos aproveitar para conhecer ao menos uma vinícola que fosse.


A primeira vez que pisei numa vinícola foi justamente na viagem passada a Santiago quando fomos na Concha y Toro, uma vinícola superlativa em termos de produção e exportação. Lembro muito dessa visita porque escolhemos o tour completo que incluia uma harmonização de vinhos e queijos ao final da visita, e de brinde ganhamos uma tábua de queijos e duas taças da Concha y Toro que usamos até hoje em casa. Adoramos esse primeiro contato com o mundo das uvas. Desde então ficamos atentos para as oportunidades de visitações/degustações das vinícolas que surgem no caminho. No Uruguai por exemplo fomos a Bouza, uma pequena vinícola dedicada a produção de vinhos premium, uma experiência diametralmente oposta a Concha y Toro. A viagem que fizemos até Bento Gonçalves (leia só o post 5 vinícolas para conhecer) foi em grande parte influenciada por estes antecedentes.
Um dia eu aprendo a visitar vinícolas na época certa…
Portanto a volta a Santiago merecia a inclusão de uma visita a um vinícola local né? O problema foi a falta de planejamento. Do pouco que havia lido e conversado com nossos companheiros de viagem, não chegamos a evoluir a conversa de como ou quando ou aonde ir. Tinha lido em uns blogs a respeito da Indómita, mas não sabíamos se teríamos  tempo disponível para deslocamento. Já no meio da viagem conversando com o guia é que visualizamos a opção de encaixar uma passagem pela vinícola após sairmos do Vale Nevado. Segundo ele, poderíamos ir ao Vale del Maipo para visitar a Santa Rita ou a Undurraga. Sem maiores conhecimentos ou grandes pesquisas de background, escolhemos a segunda opção crente que estávamos indo para uma vinícola pequena. Ledo engano.
Chegamos na Undurraga faltando pouco menos de dez minutos para nosso tour começar e já no estacionamento percebi o vacilo da falta de planejamento. Havia pelo menos dois microonibus de turismo ali, cheios de turistas (a maioria brasileiros, como nós). O Humberto, nosso guia de Santiago, nos contou que aquele dia estava mais cheio que o usual pois no dia seguinte nenhuma vinícola estaria aberta a público por conta das eleições presidenciais que estavam em curso no Chile.
As 15h30 quando nosso grupo juntou-se ao redor do responsável pelo tour na Undurraga, contei cerca de quarenta pessoas! Aí complica né, gente? Não dá para fazer um tour de qualidade com um grupo tão grande assim. Seguimos o grupo enquanto passávamos pelos vinhedos (vazios ainda pois não era época de colheita), as caves, as barricas até finalmente chegar na parte da degustação. Agora imagina o perrengue: 40 pessoas fazendo degustação ao mesmo tempo com apenas o guia servindo e explicando tudo? O funcionário ao menos era um show parte. Com certeza ele escapou de alguma cia teatral e foi parar ali, porque adorava fazer caras e bocas enquanto contava os fatos e dados da Undurraga. Saímos de lá com mais uma taça para nossa coleção, mas desapontados pois não deu para curtir a vinícola cheia dessa maneira. Acredito até que num dia mais normal seja interessante ir na Undurraga. Naquele dia específico, não foi.
“Preguntas?”
Esse guia é uma figura, mas sofreu pra conduzir um tour com mais de 40 pessoas
Na verdade era pra ser uma foto minha e da Claudia, mas aí o guia se meteu…
Ainda assim essa passagem pelo Chile serviu para entender um pouco melhor das regiões produtoras de vinhos de lá. Quando fomos a Valparaíso, cruzamos o Valle de Casablanca cuja especialidade é a produção de vinhos brancos. Lá está localizada a Indómita, que já havia captado minha atenção em blogs de viagens, e a Emiliana que atiçou bastante minha curiosidade por contar com uma produção orgânica seja lá o que isso significa… vamos ver se numa próxima conseguimos ir lá para entender melhor isso. Bem ao redor de Santiago está a região do Valle del Maipo, onde estava a Undurraga que visitamos e mais ao sul da capital, fica localizado Valle do Colchagua aonde a produção de tintos é o destaque. Não tem jeito, vai ser preciso voltar pra conferir numa próxima oportunidade :)
Escrito por Claudio Lemos