A primeira vez a gente nunca esquece não é mesmo? Eu tava com um cagaço incrível do momento imigração. Ficava naquela paranóia de que iam implicar com a minha cara e me mandar de volta alegando unha do pé encravada ou qualquer outro motivo esdrúxulo que me traumatizaria pelo resto da vida. Ainda assim, tentava me animar por dentro e pensar positivo, afinal tinha tudo para correr bem na entrevista. Eu estava com grana mais que suficiente para passar os dias lá em Londres e nos demais lugares da Europa. Mas virgem de imigração é assim mesmo, fica tenso na hora. Montei uma pasta, com todos os documentos possíveis e que provariam, sem sombra de dúvida, que eu era tão somente um turista, muito precavido, mas ainda assim apenas turista. Não tava com nenhum plano de ficar ilegal ou pedir asilo, nada disso, queria somente a permissão para entrar no seu país e visitar, tudo bem?
Esta singela pasta tinha xerox de passaporte, rg, reservas de hoteis, e-tickets, mapas passo-a-passo dos aeroportos até o local aonde ficariamos hospedados, uma planilha com todas os locais que gostariamos de poder visitar com horários de funcionamento e preços, enfim era um guia mais que completo e personalizado. Ainda levei cartões de visita, para provar que era um trabalhador idôneo, coisa e tal. Mas conforme a fila ia diminuindo e chegava a minha hora no guichê, o frio na barriga aumentava.
Quando finalmente chegou a minha vez, puxei minha mulher para sermos entrevistados juntos no guichê e a agente de imigração começou o questionário: qual o motivo da viagem? Vao ficar aonde? Por quanto tempo? Que vocês fazem? Quanto voces ganham de salário? A quanto tempo estão neste trabalho? E neste seu trabalho atendem que clientes? A quanto tempo? Descreve exatamente em que vocês trabalham? Tem um cartão de visita? Me mostrem, então.
Conforme ela ia perguntando eu ia ficando mais tenso, gente que interrogatório sem fim é esse? Eu me comunico bem em inglês, consigo manter uma conversa numa boa, leio e escrevo e tal, mas nesta viagem específicamente era o primeiro momento em que estava precisando me comunicar apenas neste língua. Então não tava afiado. Se esta entrevista ocorresse dois dias depois de já estar imerso no Reino Unido, falaria com muito mais fluência, mas infelizmente não tem jeito. Pra entrar tem que ser entrevistado. E era tanta pergunta que fiquei até tonto e esqueci até como dizia ano novo em inglês :S, mas a agente ficou tranquila pois viu que dentro de poucos dias estaria embarcando para os EUA e depois de ver a minha reserva de hotel em NY liberou nossa entrada sem mais delongas.

Uma boa dica é levar o cartão de visitas, pois passa a idéia de que você tem um emprego no seu país de origem e com isso diminuem as chances de pensarem que voce quer virar imigrante. Além disso é bom ter também o e-ticket com a data de saída e a reserva do hotel em mãos para agilizar o processo.

Escrito por Claudio Lemos