A vista para quem se hospeda no Vale dos Vinhedos é de cair o queixo

A minha primeira dica sobre hospedagem em Bento Gonçalves é não se hospede em Bento Gonçalves! Calma, eu explico. Bento é uma cidade pequena com cerca de 100mil habitantes que não tem lá grandes atrativos. Há uma enorme barrica que serve de pórtico de entrada da cidade, o museu do imigrante, a Maria fumaça e…o que mais mesmo?

Bento é aquela cidadezinha a direita ali no alto

Pois é, Bento é uma cidade pequena aonde não há muito que fazer na cidade em si. Nem as opções de comida por lá são interessantes (volto nesse assunto mais adiante) a ponto de valer a pena ficar por perto, por isso para aproveitar mais profundamente seu tour pelo mundo da enologia o melhor a fazer é reservar um hotel que fique localizado dentro do Vale dos Vinhedos, nos arredores da cidade (quem mora em cidade grande nem vai perceber que o vale está fora da cidade de tão pertinho que fica).

Através de uma super indicação de um casal que já havia feito essa viagem anos antes, nós reservamos o Studio Rocca na pousada Borghetto Sant’anna. Essa pousada fica dentro no Vale dos Vinhedos a menos de 1km da Casa Valduga (e de outras vinícolas como Don Cândido, Terragnolo, Peculiare, Titton e Marco Luigi). Todos os quartos da pousada tem um visual arrebatador: de cara para o vale. A pousada é pequena e tem até uma estória legal. Na verdade originalmente a propriedade familiar era utilizada para lazer dos donos e por seus amigos também, mas devido ao encantamento (e da insistência) dos amigos, os donos acabaram transformando o local em pousada para compartilhar essa local/experiência com  mais pessoas.

Cada quarto/casa da pousada tem características particulares, embora sejam todas charmosas e aconchegantes. Os meus amigos indicaram especificamente o Studio Rocca para gente e realmente é um lugar especial. Nunca antes havia me hospedado num quarto com uma rocha enorme servindo de parede, inclusive ela avança para dentro do box no banheiro. Mó barato! A única coisa que poderia ser melhor lá é a parte de alimentos e bebidas. Não há restaurante para jantar, então você acaba tendo que sair para os almoços e jantares. E o café da manhã servido é apenas OK. Tem café, leite, pão, iogurte e tal, mas nada que marque sabe? Mas tudo bem, porque o visual da pousada já terá feito sua estadia valer a pena.

Ficamos no Borghetto, mas eles não são a única opção de hospedagem no Vale. Há hotéis mais caros como o Spa do Vinho e algumas vinícolas, como a Valduga, também dispõem de pequenos hotéis para acomodar os turistas. De qualquer forma, vai por mim e hospede-se no Vale dos Vinhedos.

O café da manhã não tem nada de especial…

 

mas o quarto tem esta vista!
Emoldurando este quadro na memória!

 

O enorme pedregulho que serve de parede no Studio Rocca
A pedra também invade o banheiro

 

Bom dia!

 

E já que a pousada não servia almoço nem jantar, o jeito era comer na rua mesmo. Então fomos desbravar os restaurantes da região. Já havia se passado mais de um ano desde que estivemos em Gramado e tinha me esquecido que os gaúchos comem que nem pedreiro em dia de obra. No dia em que chegamos, fomos almoçar na Casa Valduga e lá não havia serviço a la carte no almoço e como já estávamos roxos de fome, não quisemos arriscar ficar vagando pela região buscando outro lugar para comer e acabamos encarando o rodízio de massas, salada e duas opções de carnes que eles ofereciam. Antes que eu pudesse me dar conta já havia aquele mar de comida pra tudo quanto é lado. Tenso! A comida era gostosinha, mas nada demais também. Eu e a Claudia costumamos dividir as refeições, portanto rodizio para gente acaba não sendo um bom negócio. Ao menos os vinhos da casa eram todos Valduga :)

Almoçando na Valduga

 

A noite saímos para jantar e caímos no mesmo erro do almoço. Paramos num restaurante chamado Sborneas, também na região do Vale, cujo sistema também era rodízio. Desta vez, risotos, panquecas e salada. Quando voltamos pro hotel fomos correndo fazer uma pesquisa de restaurantes a la carte porque senão ia voltar rolando de lá…

E assim conseguimos encontrar dois restaurantes excelentes: a Trattoria Mamma Gemma e o Valle Rústico. O Mamma Gemma ficava na Estrada do Vinho (RS444) ao lado do Sborneas, na entrada do hotel Villa Michelon e só abre para almoço. Eles também tem a opção de rodízio, mas felizmente há o menu a la carte. Na seção de carnes, eles sugerem pratos individuais com 300g de carne. Claro que eu e a Claudia dividimos um individual: um filé mignion deliciososo acompanhado de risoto de alho poró!

Filé mignon com risoto de alho poró

 

Brigadeirinho de colher na sobremesa

 

O Armazém da Mamma fica embaixo do restaurante

O prato foi tão bom que voltamos lá no dia seguinte para repetir. Além disso, o restaurante tem um anexo chamado Armazém da Mamma que vende quitutes relacionados ao universo do vinho e outros presentinhos afins.
Já o Valle Rústico fica escondido numa estradinha, mas a sinalização te ajuda a chegar lá. O restaurante tem toda uma pegada comfort food e convém fazer reserva, pois não há nada ao redor dele e a espera poderia ser chatinha. Não estava cheio quando fomos, a casa que abriga o restaurante é bem aconhegante, parece um sítio transformado. O staff é ótimo e a comida incrível. Pedimos um menu degustação de três pratos: a entrada foi uma salada de finas fatias de abobrinha, hortelã, parmesão e manjericão. Na sequência, um risoto de funcho com linguiça defumada e pra fechar uma picanha de cordeiro com geléia de cambuci. E ainda tivemos a cara-de-pau de provar as duas sobremesas de doce de leite. Satisfação total! Até tentamos voltar para jantar outro dia, porém era domingo e o restaurante não abria :( Vai virar desculpa para voltar numa próxima vez

Salada de finas fatias de abobrinha, hortelã, parmesão e manjericão
Risotto de funcho com linguiça defumada
Picanha de cordeiro com geléia de cambuci
Pien de doce de leite

Chegamos a cogitar jantar no restaurante do Spa do Vinho, porém eles não serviam a la carte apenas um menu degustação de 3 pratos mas não permitiam que fosse dividido e como além disso o preço era mais salgado, acabamos não indo lá. E com isso acabamos indo para Bento jantar uma noite, mais uma vez foi difícil fugir do esquema do rodízio, a única diferença é que dessa vez era de pizza. Enfim, cinco fatias depois pedimos a conta do Sabore de Firenze, cujo atendimento foi muito simpático.

Geléias para todos os gostos na Casa Madeira

Outro restaurante que comemos bem por lá foi o da Casa da Madeira, pertencente ao grupo da família Valduga. A especialidade de lá é a produção de sucos e geléias, inclusive a lojinha deles é bem simpática. Dá pra fazer degustação de todas as geléias e dos sucos também. Aliás vou te falar que estou seriamente considerando fazer um estoque do suco de uva rose integral: é simplesmente maravilhoso! Foi muito melhor do que o vinho da casa que pedimos para acompanhar o gnhoque ao sugo e a codorna assada no vinho.

Nhoque ao sugo

 

Codorna assada no vinho tinto

 

Emoção só de lembrar desse suco

 

Escrito por Claudio Lemos