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(foto: Marcelo Omena)

A programação da pousada Uacari costuma incluir um passeio pela manhã (bem cedo tipo 7h), um passeio a tarde por volta das 15h30 quando o calor começa a ficar menos pior e uma palestra  ou passeio a noite, após o jantar. Na época da cheia, os passeios são todos feitos de barco, uma vez que as trilhas estão totalmente alagadas e você navega próximo a copa das árvores.

 

Há dois tipos de embarcações usadas na pousada: a canoinha a remo que leva dois turistas mais o guia-naturalista e o barco a motor que comporta grupos de até 10 pessoas. A canoinha é utilizada para o passeio mais sensacional do pacote na minha opinião que é a imersão na floresta alagada, e merece um post próprio.

 

Rio Japurá e Boca do Mamirauá

Com o barco a motor passeamos pelo Rio Japurá até a Boca do Mamirauá aonde pudemos ver preguiças bentinho se alimentando de mungubas nas árvores, macacos guariba e de cheiro (bem de longe, lembra que é para levar binóculos né?) pulando nos galhos, além de vários pássaros como o gavião panema, o corta-água, pica-paus, urubus, bem-te-vi do brejo, tucanos, biguás, papagaios,  araras-vermelhas e a incrível cigana. Com certeza vimos outras espécies também mas era tanto tipo de pássaro diferente que dava até tonteira na mente. Pra quem curte birdwatching é um prato cheio!

Macaco guariba (foto: Marcelo Omena)

Macaco guariba (foto: Marcelo Omena)

Macaco guariba (foto: Marcelo Omena)

Macaco guariba (foto: Marcelo Omena)

Macaco uacari branco (foto: Marcelo Omena)

Macaco uacari branco (foto: Marcelo Omena)

Macaco de cheiro de cara preta (foto: Marcelo Omena)

Macaco de cheiro de cara preta (foto: Marcelo Omena)

Gavião Panema (foto: Marcelo Omena)

Gavião Panema (foto: Marcelo Omena)

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A preguiça-bentinho camuflada pertinho do tronco (foto: Marcelo Omena)

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Enchendo a pança de munguba (foto: Marcelo Omena)

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Tucanos (foto: Marcelo Omena)

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Papagaio (Foto: Marcelo Omena)

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Papagaio (foto: Marcelo Omena)

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Cigana (Foto: Marcelo Omena)

 

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Cigana (foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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Bem te vi do brejo (Foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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Corta-águas (foto: Marcelo Omena)

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Gavião panema (foto: Marcelo Omena)

 

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Gavião Panema (foto: Marcelo Omena)

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Biguá (Foto: Marcelo Omena)

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A árvore lotada de biguás no entardecer (foto: Marcelo Omena)

Entramos ainda com o barco “dentro” de um apui de onça, um tipo de árvore aonde as onças costumam ficar durante a época das cheias, mas infelizmente não avistamos nenhuma onça-pintada.

Só não encontramos nenhuma onça no apui...

Só não encontramos nenhuma onça no apui…

Encontrando os Botos

Chegando na Boca do Mamirauá, bem na área aonde o Rio Japurá encontra o Solimões, ficamos zanzando um tempão a procura dos botos e tucuxis (uma espécie que é bem mais parecida com o golfinho do que os botos, embora seu tamanho seja menor) que estão sempre por ali. Na palestra que tivemos lá na pousada sobre o Projeto Boto, as biológas garantiram que veríamos botos e tucuxis ali na área da Boca do Mamirauá. E elas estavam certas. Só era beeem complicado fotografar porque o bicho aparece e some muito rápido. Ainda conseguimos clicar uns botos, mas o tucuxi ficou só na memória mesmo.

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O bicho difícil de fotografar…(foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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As biólogas do Projeto Boto ficaram mega-felizes com esta foto do boto 3A pois estavam há anos sem vê-lo. Achavam que o bicho havia sido morto mas ele tava lá na Boca do Mamirauá (foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

 

Comunidade Ribeirinha

Fizemos também uma parada para conhecer a comunidade ribeirinha chamada sítio São José. Segundo nos contaram, era uma menores comunidades da reserva com menos de 50 pessoas. Fomos recepcionados pelo líder daquela comunidade, o Moraes, que possui um rosto super expressivo e nos contou um pouco sobre como os ribeirinhos vivem, constroem suas casas, a relação deles com a terra e daonde tiram seu sustento. É um puta choque de realidade. Esse dia-a-dia que vivemos com trânsito caótico, buzinas, lixo nas ruas e “confortos” como luz elétrica ou uma cama com colchão, é um universo paralelo em relação aos ribeirinhos com suas canoas a remo e casas de quintais que desaparecem durante seis meses do ano. Faz refletir bastante sobre seus valores…Eu e a Claudia havíamos levado uma mala inteira de umas roupas de criança para doar. Deixamos metade dos itens com o Moraes e outra entregamos para a Ednelza que é gerente geral da pousada. Queríamos ter levado brinquedos também, mas acabou não cabendo na mala.

Moraes, líder comunitário do Sítio São José (foto: Marcelo Omena)

Moraes, líder comunitário do Sítio São José (foto: Marcelo Omena)

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Edenílson na janela (foto: Marcelo Omena)

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Moraes contando sobre a vida na reserva (foto: Marcelo Omena)

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Uma das casas da comunidade Sítio São José (foto: Marcelo Omena)

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(foto: Marcelo Omena)

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Ribeirinho mirim (foto: Marcelo Omena)

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Moraes (foto: Marcelo Omena)

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A mini vendinha de artesanato em Sítio São José

 

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Artesanato utilizando um tipo de cabaça

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Colares feitos de sementes locais

 

Lago Mamirauá

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Bora lá ver o por do sol (foto: Marcelo Omena)

Num dos passeios a tarde, saímos para ver o pôr-do-sol no Lago Mamirauá que tem 10km de extensão e está localizado numa ponta do Rio Japurá. O guia Izael nos contou que aquele lago havia sofrido bastante por conta de pesca predatória e que os peixes só não desapareceram por completo por conta do trabalho conscientização que o Márcio Ayres iniciou ali na década de 80. O seu Joaquim, um senhorinho de idade avançada e importante membro da comunidade ribeirinha que tivemos a rápida chance de conhecer na Comunidade Boca do Mamirauá, é uma memória viva dessa historia. Márcio Ayres fez a população entender o problema grave que é permitir a pesca na época de reprodução dos peixes, além de esclarecer que a pesca de arrastão iria eventualmente esgotar a possibilidade de qualquer pesca no futuro.

 

(foto: Marcelo Omena)

Seu Joaquim da comunidade Boca do Mamirauá é uma memória viva da reserva (foto: Marcelo Omena)

Hoje, felizmente, a reserva Mamirauá conta com um programa de pesca de manejo e há inclusive uma casa de vigilância no Lago Mamirauá para coibir as atividades pesqueiras no lago. Os próprios ribeirinhos esquematizaram um rodízio para realizar a vigilância, pois ainda hoje existe gente que tenta driblar essa proibição e pesca por lá ilegalmente para ganhar algum sustento. É um problema complicado. Fiscalização na amazônia é um trabalho de formiguinha mesmo…

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Atracando na copa das árvores pra ver o sol se por

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O Lago Mamirauá

Enfim, depois de contar a história do Lago, seguimos no barco para admirar o pôr-do-sol. Os barquinhos “atracaram” no que parecia ser um arbusto flutuante em meio ao lago, mas logo descobrimos que o arbusto na verdade era a copa de uma árvore de uns 10m de altura submersa por conta da cheia. Como a água no lago é praticamente parada, ficava bem mais fácil de avistar os botos que estavam por ali descansando também.

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Lago Mamirauá (foto: Marcelo Omena)

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Essa aí até postei no instagram

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Já pode ficar muuuuuuito feliz? hahahahahahah

 

Bônus round – jacarés-açu atrás da pousada

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Ainda não havíamos visto nenhum jacaré e estávamos começando a pensar que talvez voltassemos para casa sem ver nenhum…aham, claudia senta lá. Num papo rápido, seguido de um desenrolo com Almir, funcionário da pousada, entramos no barco e fomos rapidinho ali atrás da pousada. A Claudia ainda falou pra ele que a gente queria ver pelo menos unzinho, nem precisar ser grande não. Mas o Almir falou logo “Olha, vocês vão ver mais de um e nem vai ser pequeno não”. Dito e feito, mal chegamos de barco e os jacarés começaram a aparecer saindo da mata. Primeiro um, logo outro, aí veio o terceiro…daqui a pouco já eram quase dez vindo de todos os lados. A Claudia ficou bolada! Parecia aqueles cenários alligator, com os jacarés se reunindo para devorar os humanos hehhehe. E alguns eram enormes mesmo, tipo 4m a 4,5m de comprimento. Bichinho feio e mal-encarado, pensando bem fazia sentido ficar bolado mesmo. Eu estava só tava tranquilo porque o Almir parece ter a situação bem sob-controle. Perguntei se ele sabia fazer o barulho que atraia os jacarés (é um barulho meio gutural difícil de reproduzir), ele respondeu que sim, mas que achava melhor não abusar porque já tinha bastante bicho por ali e isso costuma atrair a atenção deles. Tenso!

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Do nada, os jacarés começaram a brotar da floresta (foto: Marcelo Omena)

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Veio um, depois outro, depois outro…(foto: Marcelo Omena)

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Alguns chegaram um pouco mais perto (foto: Marcelo Omena)

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Medo!

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(foto: Marcelo Omena)

 

Escrito por Claudio Lemos