Para não se perder em meio a infinidade de vinhos que existem por aí, foram criados alguns apps pra smartphones bem legais como o Vivino e congêneres, mas como eu não havia instalado nenhum deles até então, o jeito foi anotar mesmo a caneta enquanto ia degustando as fileiras de taças que haviam em cada vinícola.

 

Das onze vinícolas que passei em Bento, confesso que gostei mais do esquema das pequenas vinícolas aonde o acolhimento ao visitante é mais próximo como na Terragnolo e na Barcarola. E embora tenhamos gostado de diversos vinhos e espumantes, trouxemos apenas uma única garrafa nessa viagem, pois não queríamos ficar cheio de peso e preocupado em pegar avião com caixas de bebida, além do que todas as vinícolas despacham para todo Brasil. Fui fazendo a listinha dos meus preferidos de cada uma delas para encomendar futuramente.

Abaixo listo as cinco visitas que considerei mais proveitosa na viagem, avaliando um combo de atendimento, ambiente e, claro, sabor do vinho.

Casa Valduga

Além dos medalhões (Miolo, Salton, Chandon e Aurora), a Valduga era a única vinícola cujos vinhos eu já conhecia e gostava antes de visitar. Naturalmente foi a primeira visita que fizemos, logo no dia que chegamos. Entramos na Casa Valduga já perto da hora do almoço e resolvemos comer lá mesmo, a comida era boa mas confesso que não curto o esquema de rodízio. O espaço possui dois restaurantes e um hotel acoplado, a Villa Valduga, além naturalmente das caves e da produção ser toda feita ali.

O tour na Valduga é bem estruturado e dá direito até uma taça de cristal de brinde no ato da compra da degustação. Dura quase um hora, passando pela caves, o maquinário de rotulagem e limpeza de garrafas, as pipas e os barris de armazenamento. É um tour bem completo, mas é um esquema mais para grandes grupos. O tour termina num imenso salão que é a loja da casa com toda a linha de produto que eles fabricam. Dá pra sentir que a empresa tem um tamanho maior do que a maioria nos arredores. Se não me engano a produção deles supera as cem mil garrafas/ano, isso sendo que eles apenas produzem vinhos premium. E no fim das contas o vinho deles é bom mesmo.

Cave de espumantes

 

A loja da Valduga cheia de opções

 

Lista de compras futuras: Moscatel Reserva, Blush, Raízes Cabernet Franc e Aninarnoa.

Barcarola

 Adorei a Barcarola pela simplicidade do lugar. Eles tem uma loja localizado bem ao lado da vinícola Gran Legado, na Via Trento. Não sei porque eles não estão no mapa do Vale dos Vinhedos da aprovale. A produção anual deles é de 25mil garrafas, são pequenos e vendem diretamente para o consumidor final. É um empreendimento totalmente familiar. O Marcelo que nos atendeu é um dos filhos do dono do vinícola butique. Nos contou que eles são a única vinícola no Brasi a produzir tintos da uva Teroldego (realmente eu nunca havia ouvido nem falar sobre essa uva), que é de uma região específica da Itália daonde vieram os antepassados da famíla. Na loja fizemos a degustação totalmente gratuita, sem compromisso. A Claudia amou o espumante Brut deles. Foi a única garrafa que trouxemos nessa viagem.

Lista de compras futuras: Teroldego, Merlot Especialitá e Espumante Brut

Cave de Pedra

 A Cave de Pedra já vale visita só pelo Castelo aonde se encontra. Se você já viu castelos em alguma viagem a Europa, provavelmente nem vai achar grande coisa, mas o fato é que castelo mexe com o nosso imaginário né mesmo?
A visita da Cave de Pedra é paga e começa no lobby aonde fica localizada a lojinha, daí segue-se por um longo corredor por dentro do castelo até chegarmos as caves principais. De lá subimos a rampa ate o salão principal, um espaço que pode ser alugado para eventos sociais, saímos do prédio para ver uma amostra das vinhas da empresa. No final somos reconduzidos ao lobby para a degustação dos produtos casa. A princípio o guia disse que seriam cinco vinhos, mas acabamos trocando uma idéia e perguntando mais um pouquinho, e ele nos ofereceu algumas outras variedades também.

Lista de compras futuras: Espumante Brut, Espumante Extra-Brut, Moscatel, Adaga Marselan e Adaga Merlot.

Pizzato

A vinícola Pizzato fica um pouco mais reservada, encondida para dentro da Via dos Parreirais. No quarto do nosso hotel, havia duas garrafas de lá. Encarei isso como um indício de que deveria ser uma boa escolha. Ao chegarmos lá fomos super bem recebidos por uma jovem de vinte e poucos anos, descendente de alemães, que está atualmente cursando enologia em Bento. Ela foi superatenciosa conosco e nos ofereceu mais dez produtos diferentes no bar/loja da vinícola. Ia explicando aos poucos, a origem de cada uva e o sabor que deveríamos prestar atenção em cada vinho. A Pizzato não cobra pela degustação e tem vários vinhos incríveis. Infelizmente como não era época de colheita, não deu para irmos até as parreiras, mas se você for entre janeiro e março poderá até colher a uva do pé e fazer a pisa da uva (fiquei muito afim de voltar para fazer isso).

Lista de compras futuras: Fausto Pizzato Rose, Pizzato Chardonnay, Alicante Bouschet, Concentus, DNA 99 e Pizzato Verve Gran Reserva.

Lídio Carraro Vinícola Boutique

A Lídio Carraro fica estrada do Vinho logo ao lado da Miolo, mas muito diferente do seu vizinho, é uma vinícola familiar com produção anual inferior a cem mil garrafas com foco na qualidade e bota qualidade aí! Os vinhos deles são excelentes, não é a toa que recentemente ganharam a licitação da FIFA e foram escolhidos para produzir o vinho oficial da Copa do Mundo 2014. Foram dois vinhos licenciados: Faces Branco (mistura de Chardonnay, Moscato e Riesling Itálico) e Faces tinto (um blend com onze uvas, tal qual uma seleção de futebol). Ambos os vinhos são gostosos e agradam ao paladar comum, inclusive a proposta do vinho é essa. Mas além disso, eles tem também vários vinhos reserva incríveis. Me apaxonei por um chamado Quorum. Uma beleza. A degustação é paga (R$10/pessoa) e funciona como uma  palestra. Há uma tela com uma apresentação que vai sendo contada pelo funcionário que irá realizar a degustação com você ao final explicação.

Lista de compras futuras: Faces, Agnvs Merlot e Quorum

Escrito por Claudio Lemos